
A Presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, anunciou na segunda-feira que a posição do Parlamento Europeu em defesa da isenção de vistos para turistas do Qatar voltará à comissão competente para revisão e que as negociações não terão início como previsto com a UE-27 para chegar a acordo sobre esta medida, depois de uma vice-presidente da instituição, a socialista grega Eva Kaili, ter sido acusada de alegadamente receber subornos deste país do Golfo.
«Eu tinha planeado anunciar o pedido para o início das negociações de isenção de visto com o Qatar e o Kuwait, mas à luz da informação, este relatório deve regressar à comissão», explicou Metsola no início da sessão plenária do Parlamento Europeu em Estrasburgo (França), após alguns dias que a própria Presidente do PE considerou «o mais longo» da sua vida.
A medida foi acordada com todos os grupos políticos e submetida à votação do plenário, que aprovou a decisão de enviar o relatório à Comissão das Liberdades Cívicas, Justiça e Assuntos Internos (LIBE) para um estudo mais aprofundado.
O relator do relatório, o alemão Erik Marquardt Verde, advertiu que o Parlamento «não pode permitir que um Estado que está a atacar a nossa União obtenha a liberalização dos vistos».
«Temos de garantir que este processo não foi manipulado e também recusar iniciar negociações», disse ele, antes de apoiar o regresso do relatório à comissão.
A iniciativa de isentar o Qatar e o Kuwait da obrigação de visto para viagens até 90 dias decorre de uma proposta da Comissão Europeia apresentada em Abril passado, na qual os serviços da UE defendiam as «vantagens económicas» para a UE de flexibilizar os requisitos de viagem para os cidadãos do Qatar e do Kuwait e que este gesto «contribuirá para reforçar as relações» com estes países.
Metsola disse também que a Conferência dos Presidentes, que reúne os chefes de todos os grupos políticos do PE, irá reunir-se pela primeira vez na terça-feira para dar início ao procedimento de remoção da socialista grega Eva Kaili, que foi acusada pelas autoridades belgas de alegada corrupção, como Vice-Presidente.
A decisão final cabe ao plenário do Parlamento, que aprova a distribuição de lugares na instituição, e a Conferência dos Presidentes deve decidir se transmite ou não o pedido de votação em plenário.
Já durante o fim-de-semana, a Presidente do PE decidiu destituí-la das suas funções e deveres de representação como Vice-Presidente, o que no seu caso incluía relações com o Médio Oriente, por exemplo, mas o poder de a destituir do cargo cabe ao plenário.






