
Pelo menos 20 pessoas foram mortas durante cinco dias de protestos na cidade de Las Anod, o epicentro da longa disputa territorial entre a autoproclamada república da Somalilândia e a região semi-autónoma somali de Puntland, no Corno de África do Norte, desde 2007.
Os manifestantes saíram às ruas na terça-feira para exigir que o governo da Somalilândia finalmente desistisse das suas reivindicações à cidade, que assumiu o controlo há cerca de 15 anos, caracterizada em parte pela expulsão forçada de mais de 7.200 somalis nos últimos meses, e a entregasse definitivamente ao estado de Puntland.
A expulsão dos somalis provocou protestos tanto do estado federal somaliano como da comunidade internacional. No entanto, a Somalilândia defendeu as suas acções dizendo que os despejos foram o culminar de várias ameaças à segurança colocadas pelos despejados.
Os protestos visam principalmente o presidente da Somalilândia, Muse Bihi Abdi, que é acusado de orquestrar assassinatos políticos contra os seus rivais – tais como o político Abdifatá Abdulli Hadrawi, que foi morto a tiro na semana passada por homens mascarados – e outros dissidentes. É também acusado de se agarrar ao poder com um mandato ilegítimo, que terminou em Dezembro último, não tendo sido realizadas quaisquer eleições até agora «por razões técnicas», de acordo com as autoridades.
A votação foi marcada para 13 de Novembro, um mês antes do final do mandato do presidente, num apelo às urnas que foi visto como um marco para um estado até agora relativamente pacífico que tem procurado o reconhecimento internacional durante décadas após ter declarado a independência do resto da Somália em 1991.
O presidente negou qualquer responsabilidade pela morte de Hadrawi, que culpou os «inimigos da Somalilândia», enquanto partidos da oposição como Waddani o exortaram a abandonar imediatamente o poder e dedicaram os seus esforços a apelar aos protestos que resultaram neste número de mortes provisórias de 20 após a intervenção das forças de segurança da Somalilândia, relata o website Somali Garowe On Line, citando «múltiplas fontes independentes».
A situação tornou-se tão grave que o governo somali, os Estados Unidos e a missão da União Africana na Somália, ATMIS, e as Nações Unidas apelaram imediatamente à calma. «Os parceiros internacionais estão preocupados com a violência em Las Anod que resultou em mortos e feridos civis», disse a missão da ONU na Somália, UNSOM, numa declaração no domingo.
«A prevenção da violência e as garantias para a protecção da população civil são primordiais. Apelamos à calma e contenção. As tensões devem ser resolvidas através do desanuviamento e do diálogo», disse a missão da ONU.
Fonte: (EUROPA PRESS)






