
Um relatório dos serviços de inteligência da Secretaria de Segurança do Distrito Federal de Brasília alertou com dois dias de antecedência para o risco de um ataque violento por parte de manifestantes pró-Bolsonaro contra a sede dos três ramos do governo, que finalmente se concretizou no domingo passado.
Em particular, advertiu as autoridades que os manifestantes tinham «a intenção de realizar actos de violência», segundo o documento a que o jornal «Folha de São Paulo» teve acesso.
O texto foi enviado a 6 de Janeiro ao secretário de segurança pública do governo regional, Anderson Torres, então responsável pela segurança e operações policiais. Torres está sob investigação por ter ordenado a retirada de grande parte das forças de segurança da área pouco antes da manifestação.
O relatório alerta para uma «alarmante» concentração de manifestantes vindos de outras partes do país para uma «tomada de poder» e a «invasão do Congresso» para ocupar «organismos públicos representando os três ramos do governo» e «sitiar» Brasília.
No sábado, Anderson Torres, secretário de segurança do Distrito Federal de Brasília durante o assalto, foi detido à sua chegada dos Estados Unidos. O Supremo Tribunal Federal, na terça-feira, mandou prendê-lo porque considera que a invasão só poderia ter ocorrido «com o consentimento e mesmo a participação efectiva das autoridades competentes em matéria de segurança pública e inteligência».
Torres – que foi ministro da justiça no governo federal sob o governo de Bolsonaro – chegou a Brasília num voo da Gol a partir de Miami, que aterrou no Aeroporto Internacional de Brasília às 7.17 da manhã.
O ex-ministro estava de férias com a sua família nos Estados Unidos quando os manifestantes que apelavam a um golpe contra o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva começaram a tomar conta dos três ramos do governo. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha – também um aliado bolonaro – demitiu abruptamente Torres pouco depois do início da agressão.
O Ministro da Justiça Flávio Dino informou que os dispositivos de segurança em Brasília foram alterados horas antes da manifestação, de tal forma que o número de agentes policiais destacados na Esplanada dos Três Poderes foi significativamente reduzido.
Além disso, foi encontrado em sua casa um projecto de decreto presidencial denunciando a interferência federal do Supremo Tribunal Eleitoral para abrir a porta para alterar o resultado das eleições de 2022 que levaram à derrota de Bolsonaro e ao regresso de Lula à presidência, um documento já conhecido como o «projecto do golpe de estado». Torres respondeu que este texto estava «provavelmente» na pilha de papéis a serem descartados.
Torres foi o braço direito de Bolsonaro durante a sua presidência, nos momentos mais controversos. Em Julho de 2021, ele e Bolsonaro atacaram o sistema eleitoral utilizando dados que mais tarde se revelaram falsos e mais tarde criticaram o sistema de urnas electrónicas.
Fonte: (EUROPA PRESS)






