
Pelo menos 17 pessoas foram mortas e cerca de 20 outras ficaram feridas num atentado bombista no domingo numa igreja evangélica em Kasindi, uma cidade na fronteira entre a República Democrática do Congo e o Uganda, disse o governo congolês, atribuindo o ataque às Forças Democráticas Aliadas (ADF).
O porta-voz do comando operacional Sokola I na região do Kivu Norte, local da explosão, o Capitão Anthony Mualushayi, confirmou a detenção de um suspeito queniano para interrogatório.
O governo condenou «firmemente» este ataque perpetrado no meio de uma missa realizada na 8ª Comunidade das Igrejas Pentecostais do Congo, que é «evidentemente» o trabalho da ADF, segundo o portal noticioso congolês Actualité.
«Os serviços de segurança assumiram o controlo do local após uma explosão que causou várias mortes e danos materiais. Os feridos estão a ser evacuados para instalações médicas», explicou o Ministério das Comunicações congolês. «Estão em curso investigações para detectar a origem deste acto terrorista», acrescentou.
As autoridades reiteraram as recomendações para «evitar multidões» e «estar vigilante» nesta área, que é um alvo recorrente de ataques ADF, particularmente na estrada Beni-Kasindi.
«Os resultados das investigações preliminares em curso serão comunicados nas próximas horas. O governo deseja transmitir as suas mais tristes condolências às famílias das vítimas deste acto terrorista desprezível», disse o porta-voz do governo Patrick Muyaya, citado pela Rádio Okapi.
A ADF é um grupo ugandês criado nos anos 90 que era particularmente activo no leste da RDC e é acusado de matar centenas de civis nesta parte do país.
O grupo sofreu uma cisão em 2019 após Musa Baluku – sancionado pelas Nações Unidas e pelos Estados Unidos – ter jurado fidelidade ao grupo jihadista Estado Islâmico na África Central (ISCA), sob cuja bandeira tem vindo a operar desde então. O aumento dos ataques em solo ugandês e a reivindicação de um ataque na capital ugandesa, Kampala, levaram os dois países a lançar operações conjuntas no leste da RDC.
VISITA DO POPE O ataque ocorre poucos dias antes do início da visita do Papa Francisco à República Democrática do Congo e ao Sul do Sudão, prevista para o período de 31 de Janeiro a 5 de Fevereiro.
A viagem estava marcada para Julho de 2022, mas segundo o Vaticano foi adiada por razões de saúde, embora alguns meios de comunicação social italianos atribuíssem o cancelamento da viagem a preocupações de segurança. De facto, de acordo com o novo programa da viagem, Francis cancelou a escala em Goma, Kivu do Norte, onde o ataque teve lugar.
Contudo, espera-se que o agravamento do conflito na região esteja no centro da viagem do Papa, uma vez que ele está agendado para se encontrar em Kinshasa com as vítimas dos conflitos no leste do país.
Numa segunda fase, o Papa irá encontrar-se com o Arcebispo de Cantuária, Justin Welby, Primaz da Igreja Anglicana, no Sul do Sudão. Esta viagem ecuménica sem precedentes centra-se no trabalho de reconciliação entre as facções tribais do país, que têm estado envolvidas numa guerra civil sangrenta desde a independência em 2011.
Fonte: (EUROPA PRESS)






