
De acordo com o último relatório oficial da Superintendência de Transportes Terrestres de Pessoas, Carga e Mercadorias, os manifestantes que exigem a demissão da presidente peruana Dilma Boluarte estão a realizar um total de 83 bloqueios de estradas em diferentes partes do país.
Os bloqueios estão presentes em oito regiões do país: Ucayali, Huánuco, Ica, Apurímac, Cusco, Arequipa, Puno, Madre de Dios, Tacna, de acordo com a estação de rádio peruana RPP.
O director da ONG Luz Ambar, Quispe Candia, explicou que estes bloqueios de estradas afectam cerca de 80.000 camiões de carga que se encontram encalhados. Só na estrada para Desaguadero, na região de Puno, perto da fronteira com a Bolívia, 300 camiões ficaram retidos durante 16 dias.
Entretanto, a polícia continua a reter 193 pessoas detidas na Universidade de San Marcos em Lima, todas elas detidas depois de cerca de 400 polícias terem entrado com tanques e o apoio de forças especiais sem cumprir os procedimentos legais para detenções.
A congressista Isabel Cortez denunciou que algumas das pessoas detidas na Universidade de San Marcos se encontram em condições deploráveis. «Esta é a situação em que os nossos irmãos e irmãs que foram detidos ontem em San Marcos estão amontoados. Exigimos que a polícia e os procuradores respeitem os direitos humanos e a dignidade das pessoas que foram detidas arbitrariamente», escreveu ela na sua conta do Twitter depois de publicar uma imagem de pessoas superlotadas deitadas no chão de uma sala imunda.
O Coordenador Nacional dos Direitos Humanos (CNDDHH) exigiu que a polícia esclarecesse a situação legal dos detidos na intervenção na Universidade Nacional Mayor de San Marcos. «Nada justifica o facto de as pessoas continuarem sob custódia policial», disse.
A Amnistia Internacional condenou também o «uso desproporcionado da força» e o respeito pelos direitos humanos. «O estado de emergência não suspende o devido processo. Os detidos devem ter acesso à sua defesa a todo o momento e dispor de intérpretes, se necessário. A proibição da detenção por incomunicabilidade e tratamento cruel e desumano é mantida», disse o organismo internacional.
Além disso, duas pessoas foram dadas como mortas em Virú em confrontos entre a polícia e manifestantes que bloqueiam a estrada Panamericana Norte. Um dos falecidos tinha 23 anos de idade, enquanto a segunda fatalidade, de 54 anos, morreu depois de se recusar a aceitar uma exigência de pagamento de suborno para atravessar uma linha de piquete.
Em resposta a esta situação, a Ministra da Habitação, Hania Pérez de Cuéllar, reconheceu que os peruanos «estão a passar por momentos de tristeza porque tiveram um familiar que morreu nestes distúrbios ou têm um familiar doente ou hospitalizado, não só da sociedade civil, mas também da polícia». «Estamos a atravessar tempos difíceis, mas, como o presidente e o primeiro-ministro nos disseram, não podemos parar», advertiu ele.
Fonte: (EUROPA PRESS)






