
O novo governo brasileiro considera «inconstitucional» a legislação que facilita a circulação do ouro no Brasil, uma vez que as empresas não são actualmente obrigadas a conhecer a sua origem – encorajando assim a extracção ilegal – e já estão a analisar o caso a fim de intentar uma próxima acção judicial no Supremo Tribunal.
«Infelizmente, esta lei permite que o ouro ilegal seja convertido em ouro legal, como se fosse lavado, porque os distribuidores que compram ouro não precisam de cumprir determinadas directrizes, uma vez que se presume a boa fé do comprador e do vendedor», explicou o Ministro da Justiça Flávio Dino.
«Por conseguinte, consideramos esta lei inconstitucional», disse Dino numa entrevista com a rádio pública brasileira. Na entrevista, o Ministro da Justiça informou que falou com a Procuradoria-Geral da República para estudar e examinar se existe a possibilidade de apresentar uma queixa de ilegalidade perante o Supremo Tribunal.
«Seria uma forma de desencorajar a mineração ilegal no Brasil», disse Dino, numa altura em que a questão da mineração ilegal voltou à ribalta depois de o governo ter alertado para o caos que causou em grandes partes da Amazónia, especialmente entre a comunidade Yanomami.
Neste sentido, o advogado geral da União, Jorge Messias, denunciou que os povos indígenas foram «abandonados à sua própria sorte» e que o governo de Jair Bolsonaro incorreu em «omissão» de funções ao não enfrentar a crise humanitária e sanitária dos Yanomami, o maior povo indígena do Brasil.
«Houve uma omissão no governo anterior. Quer tenha sido deliberado ou não, as investigações dirão», disse Messias, anunciando uma comissão especial para investigar o que aconteceu numa reunião com a imprensa, relata ‘O Globo’.
Na semana passada, durante uma visita do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao estado sulista de Roraima na Amazónia brasileira, o Ministério da Saúde declarou uma emergência sanitária na região após ter visto o estado da comunidade Yanomami.
Uma das principais causas desta situação, segundo o governo, tem sido o encorajamento e a defesa dada aos extractores ilegais de ouro e outras pedras preciosas, os garimpeiros, que invadem e poluem as terras destas comunidades, utilizando a violência contra elas.
O Ministério dos Povos Indígenas informou esta semana que pelo menos 570 crianças entre um e quatro anos de idade da comunidade Yanomami morreram de desnutrição, pneumonia e diarreia nos últimos quatro anos, em resultado do avanço da exploração ilegal de minas, responsável pela contaminação de rios e campos. Foi também relatado um aumento grave de casos de malária no último ano.
Fonte: (EUROPA PRESS)






