
Autoridades na região separatista somali da Somalilândia acusaram o exército somali no domingo de lançar um ataque às suas forças no meio do conflito em curso na cidade de Las Anod, capital da província de Sool, que tem sido palco de um recrudescimento das hostilidades entre as forças somalis e as milícias unionistas locais exigindo a integração na Somália.
O último recrudescimento dos combates começou há sete dias e o número de mortos varia de acordo com as fontes. As últimas estimativas de fontes médicas e locais relatadas pela Shabelle Media Network situam o número de mortos entre 100 e 200, com mais dezenas de feridos.
O cessar-fogo unilateral declarado na sexta-feira pelas autoridades somalis, que acusaram as milícias de o quebrar em pelo menos duas ocasiões, a última das quais às 5.30 da manhã de domingo, foi em vão. Contudo, de acordo com a rede, os líderes locais por detrás do movimento integracionista conhecido como Sool, Sanaag e Cayn Unity and Salvation Authority (SSC) negaram qualquer envolvimento.
Pouco tempo depois, numa declaração levada a cabo pela televisão digital somali HBN Online na sua conta do Twitter, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Somalilândia acusou directamente o governo federal somali e o estado regional de Puntland de envolvimento directo no conflito depois de atacar as suas forças estacionadas na cidade, sem que mais pormenores dos confrontos fossem tornados públicos.
«O que se está a passar em Las Anod não é uma expressão de queixa social, mas uma tentativa premeditada de desestabilização da Somalilândia. Esta manhã, as forças armadas do Governo Federal da Somália atacaram posições do Exército da Somalilândia», disse o ministério na nota.
A Somalilândia acusou particularmente Puntland de acumular tropas na área de Tukaraq na fronteira entre os dois estados, e ordenou às forças de Puntland que não avançassem mais.
As autoridades da Somalilândia declararam a independência da Somália em 1991, mas este país não ganhou um amplo reconhecimento internacional pelo seu estatuto e enfrentou a oposição de alguns anciãos de clã em áreas disputadas ao longo da sua fronteira com o estado semi-autónomo de Puntland, na Somália.
Os líderes tradicionais do CSS, como Garad Jama, declararam-se «completamente dispostos a aceitar o cessar-fogo desde que o inimigo mostre que quer falar», disse ele em declarações relatadas pela Shabelle Media Network.
Os combates eclodiram na segunda-feira horas depois dos líderes dos clãs regionais terem afirmado que eram leais às autoridades federais e sublinhado que cumpririam a constituição, suscitando críticas por parte das autoridades da Somalilândia, que assumiram o controlo da cidade há cerca de 15 anos.
Em resposta, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos Volker Turk apelou na terça-feira às autoridades somalis para conduzir uma investigação «credível e imparcial» sobre os confrontos e alertou para o seu impacto sobre «uma situação humanitária já frágil na região».
Fonte: (EUROPA PRESS)






