
A Procuradoria-Geral da União (AGU) apresentou esta segunda-feira perante a Justiça Federal um pedido formal de acusação final contra 59 indivíduos e entidades jurídicas pela sua participação nos ataques à Esplanada dos Ministérios no dia 8 de Janeiro em Brasília.
A AGU solicitou que os réus – incluindo 54 indivíduos, três empresas, uma associação e um sindicato – compensassem o Estado com 20,7 milhões de reais (3,7 milhões de euros) pelos danos materiais e morais causados nesse dia à sede do Supremo Tribunal, ao Congresso e à Presidência.
As empresas em questão são acusadas de financiar o fretamento dos autocarros em que milhares de pessoas viajaram para se mobilizarem e acamparem fora do quartel-general do exército em Brasília para apelar à intervenção militar após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas urnas a 30 de Outubro.
Assim, a AGU assinala que os suspeitos «estavam conscientes» de que a organização dessas mobilizações poderia conduzir aos acontecimentos tal como estes ocorreram, uma teoria que é «reforçada» quando «as chamadas» para participar neles são verificadas, «quando já foi feita referência expressa aos desenhos de actos não pacíficos e à tomada do poder».
Isto demonstraria, insiste a AGU, que existia uma «organização prévia» em que o financiamento do transporte era «um vector primário» para o que acontecia «tomar forma» e desenvolver-se como acontecia.
Os acusados já tiveram as suas contas bancárias e bens bloqueados. A AGU defende que num regime democrático, como o do Brasil, é contrário aos costumes da democracia «convocar e financiar um movimento ou manifestação com a intenção de tomar o poder», segundo o jornal ‘Folha de São Paulo’.
O montante de 20,7 milhões de reais exigido pela AGU baseia-se nos cálculos dos danos e prejuízos, «já incontroversos», estimados pelo Supremo Tribunal, o Palácio do Planalto e o Congresso, embora a AGU não exclua que, à medida que a investigação avança, «possam ser revelados danos ainda maiores em bens públicos».
Até agora, a AGU apresentou quatro processos civis contra os suspeitos de financiamento ou de participação nos ataques de 8 de Janeiro.
Fonte: (EUROPA PRESS)






