
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, expressou na terça-feira a sua rejeição de uma série de fotografias divulgadas em redes sociais em que guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN) aparecem com crianças na cidade de Tibú, no departamento de Norte de Santander.
As crianças devem ser completamente excluídas desta guerra. Rejeitamos qualquer acção de actores armados que envolvam menores. Os jovens devem ser protegidos, nunca recrutados, fotografados ou bombardeados», disse o presidente.
Segundo as informações preliminares recolhidas pela Rádio RCN, as imagens mostram membros da Frente Fernando Porras Martínez que, com armas na mão, parecem ser acompanhados por menores da zona.
O representante para os Direitos Humanos no departamento de Norte de Santander, Diego Villamizar, reconheceu à referida estação de rádio que estes eventos «o preocupam» devido à possibilidade de o ELN estar a «utilizar crianças e adolescentes em várias acções» do grupo.
Segundo Villamizar, o Exército de Libertação Nacional visita escolas e colégios em vários municípios da região com o objectivo de os seduzir com presentes, que são o gancho para influenciá-los e doutriná-los para a guerra contra o Estado.
Estamos preocupados que o governo nacional esteja ciente do que está a acontecer e até agora não tenha respondido ao grave problema da violação do direito humanitário internacional», disse Villamizar.
Precisamente nesta terça-feira, o chefe da delegação do governo colombiano no diálogo com o ELN, Otty Patiño, salientou a necessidade de um cessar-fogo bilateral a ser acordado na próxima reunião entre as duas partes, e não excluiu a suspensão das negociações se não for alcançado um acordo a este respeito.
Patiño salientou que um tal cessar-fogo «é absolutamente necessário», uma vez que o principal beneficiário será a população civil. A cessação das operações ofensivas não é «suficiente», mas o fim das hostilidades em todas as cidades e municípios onde a guerrilha ELN está presente é também necessário.
O negociador da Casa Nariño acredita que a pressão nacional e internacional acabará por ter um efeito e convencer o ELN a depor as armas, especialmente após o descrédito da última semana, quando um dos seus ataques matou nove soldados numa zona rural do Norte de Santander.
Esse ataque foi amplamente condenado pelo governo colombiano, cujos representantes nem sequer excluíram a possibilidade de sair da mesa de negociações. No entanto, Patiño indicou que embora eles sejam capazes de o fazer, isto não está contemplado, pois significaria fechar a porta a qualquer tipo de acordo.
Contudo, acrescentou que as negociações poderiam ser suspensas se o ELN não responder «satisfatoriamente» às perguntas e se estiver disposto a sentar-se, não para se fortalecer politica e militarmente, mas para pôr fim ao conflito armado».
Fonte: (EUROPA PRESS)






