
O líder do partido da oposição Afek Tunes, Fadel Abdelkefi, denunciou na quarta-feira que as autoridades tunisinas o impediram de embarcar num avião da capital e afirmou que não existe ordem judicial que justifique a medida.
«Fui recentemente proibido de viajar para o estrangeiro através do aeroporto de Cartago de Tunes sem qualquer ordem judicial ou qualquer documento contra mim que pudesse justificar isto», disse ele numa breve mensagem na sua conta do Facebook.
Afek Tunes emitiu uma declaração de protesto contra a medida e reiterou que «o presidente do partido não foi informado da proibição de viajar de qualquer jurisdição», sublinhando que esta acção «só pode ser considerada uma medida administrativa sem um documento legal».
Assim, o partido salientou que se trata de uma medida «arbitrária» e uma «violação das liberdades fundamentais e constitucionais dos indivíduos», ao mesmo tempo que acrescentou que tem lugar «no quadro da ordem dos organismos estatais para reprimir a oposição».
O partido disse ser «mais uma prova» do «desvio rápido» do Presidente Kais Saiu para a «ditadura», mas salientou que «estas práticas não dissuadirão este partido e o seu presidente de prosseguir a luta para alcançar um Estado que proteja as liberdades e alcance a prosperidade social e económica de todos os tunisinos».
«O presidente, Kais Saied, é responsável pelo que as situações políticas, económicas e sociais levaram ao declínio e no que poderão vir a ser num futuro previsível», sublinhou ele num comunicado, também publicado na sua conta oficial no Facebook.
A denúncia de Abdelkefi vem dias depois de um tribunal tunisino ter decretado uma proibição de viagem contra o líder do partido islamista Ennahda e orador do Parlamento dissolvido, Rachid Ghanuchi, como parte de uma investigação contra ele por alegada corrupção.
A Tunísia encontra-se no meio de uma grave crise política na sequência da decisão de Saied em Julho de 2021 de dissolver o governo e suspender o parlamento, que foi posteriormente dissolvido, no meio de alegações da oposição de uma deriva autoritária por parte do presidente.
O país prepara-se para as eleições legislativas antecipadas de Dezembro, que serão boicotadas pela oposição maioritária, que já boicotou o referendo constitucional de Julho que reforçou os poderes do presidente e reduziu o peso do parlamento.






