
Os funcionários russos classificaram a decisão do Parlamento Europeu de declarar a Rússia patrocinadora estatal do terrorismo como «passo pouco amistoso» e acusam a Ucrânia de ter sido «pioneira» na divulgação da retórica que consideram «injusta».
Segundo o Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros russo Oleg Siromolotov, numa conferência de imprensa, as autoridades ucranianas iniciaram estas acusações «muito antes» da guerra que começou em Fevereiro, uma vez que em 2014, no contexto do conflito no Donbas, Kiev descreveu a sua operação «punitiva» no leste do país como anti-terrorista.
Simorolotov lamentou que a decisão adoptada pelo Parlamento Europeu na quarta-feira siga a tendência de «uma campanha política e de informação» conduzida pelo Ocidente, que «nada tem a ver com a situação real na luta contra o terrorismo internacional».
«Se os países individuais ou o Parlamento Europeu quiserem procurar verdadeiros terroristas, sugerimos que olhem mais de perto e compreendam mais profundamente o que aconteceu não há muito tempo no Mar Báltico e no Mar Negro, e que não participem no desfile de resoluções falsas», disse Simorolotov, tal como citado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Questionado sobre se Moscovo deveria seguir o exemplo do Parlamento Europeu em relação à Ucrânia, Simorolotov enumerou alegadas atrocidades cometidas pela Ucrânia e alegadas violações do direito internacional contra soldados russos.
Contudo, salientou que o Kremlin sempre se opôs à «doutrina» do terrorismo de Estado, que, segundo ele, é frequentemente utilizada por alguns países «para justificar interferências em assuntos que são da competência interna de outros Estados».
«Ao mesmo tempo, são os países ocidentais, liderados pelos Estados Unidos, que utilizam rótulos como ‘estado terrorista’, ‘regime terrorista’ ou ‘patrocinador estatal do terrorismo’ para designar rivais censuráveis a fim de legitimar as medidas coercivas unilaterais introduzidas», reprovou.
Assim, excluiu que a Rússia pudesse declarar a Ucrânia ou qualquer outro dos seus actuais rivais internacionais como Estado terrorista, pois estaria a seguir critérios que Moscovo considera errados.
«Acreditamos que seria um erro seguir as abordagens ilegais de outros. Não seremos como os violadores do direito internacional», disse o representante diplomático russo.
O Parlamento Europeu aprovou na quarta-feira a designação da Rússia como patrocinador estatal do terrorismo numa resolução apoiada pelos grupos maioritários do Parlamento Europeu. A resolução centrou-se na denúncia de mais de 40.000 crimes de guerra documentados alegadamente cometidos pelo exército russo em locais como Irpin, Bucha e Izium.
Já nesse dia, a Ministra dos Negócios Estrangeiros russa Maria Zakharova propôs ironicamente no seu canal telegráfico pessoal a designação do Parlamento Europeu como «patrocinador da idiotice».






