
O Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) salientou que a desigualdade na região é «muito elevada» e continua a ser superior à de outras regiões, com uma mobilidade social muito baixa, razão pela qual apresentou o seu «Relatório de Economia e Desenvolvimento (RED 2022)» no qual mostra que esta baixa mobilidade representa um «grave problema» para a equidade e outros aspectos do desenvolvimento da região.
«Há décadas que a América Latina e as Caraíbas tem sido uma das regiões mais desiguais do mundo. Isto continua a ser verdade apesar do progresso económico e social dos últimos vinte anos, o que não foi suficiente para desfazer as profundas raízes da desigualdade na nossa região», explicou o Presidente Executivo da CAF, Sergio Díaz-Granados, durante a apresentação do relatório.
Entre as razões, o relatório salienta que a baixa mobilidade é causada por diferentes tipos de riscos, que não estão apenas associados não só às crises macroeconómicas ou aos perigos da mudança tecnológica, mas também à situação sanitária ou às alterações climáticas.
Além disso, esta desigualdade, segundo a CAF, baseia-se em raízes profundas que implicam uma transmissão de geração em geração. Especificamente, o relatório apresenta provas que indicam que na América Latina, as oportunidades estão distribuídas de forma muito desigual entre pessoas de famílias de diferentes níveis socioeconómicos.
OPORTUNIDADES DE TRABALHO Entre os esforços a serem feitos para combater esta desigualdade, RED 2022 está empenhada em concentrar os investimentos nos grupos populacionais mais vulneráveis e nas áreas geográficas mais pobres. Este objectivo é «importante» porque a localização geográfica dos pais também determina as oportunidades de emprego dos seus filhos.
«A igualdade de oportunidades de emprego exige, em grande medida, a redução das desigualdades entre as regiões. Diferentes políticas podem contribuir para este objectivo, tais como as que melhoram as infra-estruturas urbanas básicas e as instalações chave para a prestação de serviços de educação, saúde ou segurança pública», disse a co-autora do relatório e economista-chefe da CAF, Lucila Berniell.
Do ponto de vista exposto no relatório, as políticas que normalmente não são consideradas como promovendo a mobilidade social tornam-se «peças centrais» no leque de políticas de igualdade de oportunidades. É o caso, por exemplo, de melhorias nas infra-estruturas de transportes públicos, que têm potencial para trazer oportunidades de emprego de qualidade às populações que vivem em zonas desfavorecidas, longe dos centros produtivos.
«A realização de uma maior mobilidade social na região está nas mãos de múltiplos actores, tanto no sector público como no privado, impondo assim o grande desafio de alcançar o consenso necessário para expandir políticas redistributivas que rompam os laços intergeracionais da desigualdade», conclui o relatório.






