
O parlamento português aprovou na sexta-feira por larga maioria uma lei para descriminalizar a eutanásia, numa terceira tentativa de ultrapassar as suspeitas do presidente conservador do país, Marcelo Rebelo de Sousa, que já bloqueou duas tentativas anteriores.
A reforma recebeu o voto favorável da maioria dos representantes dos partidos de esquerda, bem como de seis deputados do Partido Social-Democrata (PSD), o que deu aos seus membros um voto livre. Houve também uma abstenção das fileiras do Partido Socialista (PS) do primeiro-ministro António Costa.
O PSD, o principal partido da oposição, solicitou, sem sucesso, um referendo para que os cidadãos pudessem votar sobre uma questão que tem sido objecto de controvérsia durante anos, numa sessão plenária controversa na qual a direita acusou o presidente da Assembleia de ser tendencioso.
O texto passa agora para a secretária de Rebelo de Sousa, que tem o poder de o promulgar, vetar ou consultar o Tribunal Constitucional. O presidente, que anteriormente manifestou as suas dúvidas sobre a alegada ambiguidade da iniciativa, prometeu tomar uma decisão numa questão de semanas, de acordo com o canal da RTP.
A lei autoriza a morte assistida no caso de pessoas em idade legal com doenças «graves e incuráveis» ou «lesões definitivas de extrema gravidade». Estabelece um período mínimo de dois meses entre o início e o fim do processo e requer a intervenção de um profissional médico.






