
A Vice-Presidente do Parlamento Europeu Eva Kaili foi detida e acusada de pertencer a uma organização criminosa, corrupção e branqueamento de dinheiro como parte de uma investigação sobre alegados subornos do Qatari a indivíduos que poderiam influenciar a tomada de decisões do Parlamento, disseram fontes judiciais ao diário belga L’Echo no domingo.
A Vice-Presidente Kaili – destituída ontem dos seus poderes de poder mas não do seu título – é, segundo as fontes, uma das quatro pessoas não identificadas que, de acordo com a declaração oficial emitida pelo Ministério Público Federal belga, foram levadas perante os tribunais por suspeita de «pertença a uma organização criminosa, branqueamento de capitais e corrupção». Duas outras pessoas que foram presas na sexta-feira foram libertadas.
O gabinete confirma também que a casa de um segundo MPE foi revistada no sábado à noite em relação a um esquema em que «terceiros com posições políticas e/ou estratégicas no Parlamento Europeu receberam grandes somas de dinheiro ou receberam grandes ofertas para influenciar as decisões do Parlamento».
Kaili tinha estado sob custódia policial desde sexta-feira. No final das 48 horas estipuladas pela lei belga, o Ministério Público emitiu um mandado de captura para a Vice-Presidente, bem como para o seu parceiro e conselheiro dos direitos humanos do Parlamento Francesco Giorgi e o antigo deputado europeu Antonio Panzeri, bem como para um intermediário de Bruxelas cuja identidade não foi revelada e que foi identificado apenas como «F», de acordo com fontes judiciais informaram Le Soir.
O pai de Kaili, que foi interceptado no sábado com uma mala cheia de dinheiro ao sair de um hotel em Bruxelas, foi libertado. Finalmente, Luca Visentini, Secretário-Geral da Confederação Sindical Internacional, foi libertado condicionalmente, de acordo com as mesmas fontes.
PESQUISA DO SEGUNDO MPE O Ministério Público não nomeia o segundo MPE cuja casa foi revistada «por volta das 20 horas de sábado», mas fontes na investigação disseram ao Le Soir que foi o MPE socialista belga Marc Tarabella, que «não foi privado da sua liberdade», segundo o Le Soir. O gabinete do MPE não se pronunciou sobre o assunto.
Tarabella, 59 anos, membro do grupo Socialistas e Democratas (S&D) no Parlamento, é vice-presidente da delegação do PE para as relações com a Península Arábica e deputado da delegação para as relações com a China, de acordo com o seu perfil no website institucional do PE.
Vale a pena notar que Tarabella, numa comparência perante o Parlamento a 21 de Novembro, lamentou o discurso «unilateralmente negativo» contra as autoridades do Qatar na área dos direitos laborais na sequência da morte de numerosos trabalhadores durante a construção dos estádios para o actual Campeonato do Mundo.
«Ainda há muito a fazer, mas é um país que enveredou pelo caminho da reforma. E a organização do Campeonato do Mundo, para além de todos os eventos que organizou, foi provavelmente o gatilho que acelerou estas reformas», de acordo com o website do Parlamento Europeu.






