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Reino Unido retira tropas de manutenção da paz do Mali

Pedro Santos

2022-11-14
Arquivo
Arquivo – Um soldado do Mali usando um capacete azul da ONU. – HARANDANE DICKO / MINUSMA

O governo britânico anunciou na segunda-feira uma decisão de retirar as suas tropas de manutenção da paz do Mali, apesar do ressurgimento da actividade islamista na região do Sahel em África.

O Secretário de Estado das Forças Armadas James Heappey confirmou que o contingente britânico de 300 elementos, membros da Missão Multidimensional de Estabilização Integrada das Nações Unidas no Mali (MINUSMA), deixará o país africano mais cedo.

«A responsabilidade por tudo isto recai sobre Bamako. Dois golpes em três anos minaram os esforços internacionais para promover a paz», disse o representante britânico.

Com esta mudança, Londres segue os passos de Paris, que anunciou em Fevereiro que as suas tropas no Mali seriam transferidas para o Níger para continuar a sua luta contra a actividade jihadista na região.

Estas decisões são mais um sinal das reticências de uma grande parte da comunidade internacional em relação tanto à junta militar do Mali como ao seu alegado alinhamento com o Grupo Wagner, uma organização mercenária russa.

Para Heappey, o Grupo Wagner está ligado a «violações maciças dos direitos humanos», tornando a aproximação de Bamako à organização «contraproducente para a estabilidade e segurança duradouras na região».

«Este governo não pode destacar militares da nossa nação para fornecer segurança quando o governo anfitrião não está disposto a trabalhar connosco para fornecer estabilidade e segurança duradouras», disse Heappey.

No entanto, o Secretário das Forças Armadas do Ministério da Defesa salientou que o Reino Unido continuará a trabalhar em estreita colaboração com a França e outros aliados para «reequilibrar» o destacamento do Reino Unido no Sahel e na África Ocidental.

Em 2020, Londres certificou o destacamento de tropas para Gao no leste do Mali, um gesto que o então primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, saudou como uma demonstração de que o Reino Unido poderia ser uma «força para o bem».

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