
O presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, disse quarta-feira que as alterações climáticas e a pobreza são duas realidades «inseparáveis» que devem ser combatidas em conjunto e prometeu castigos «mais severos» para aqueles que prejudicam o ambiente e os recursos da Amazónia.
Ao mesmo tempo, apelou à presença de mais países no Conselho de Segurança das Nações Unidas para uma melhor governação global e para pôr fim ao «privilégio do veto», que ameaça o equilíbrio e a paz. «O mundo de hoje não é o mesmo que era em 1945», disse ele.
Durante o seu discurso na cimeira da ONU sobre o clima que está a decorrer nestes dias na cidade egípcia de Sharm el Sheikh, Lula salientou que «a luta contra o aquecimento global é inseparável da luta contra a pobreza».
Lula salientou que é necessária uma sociedade mais empática, baseada na «confiança» entre os povos e «para além dos interesses nacionais imediatos», a fim de enfrentar um problema que afecta particularmente os mais vulneráveis.
Por esta razão, defendeu a mobilização de mais recursos para que «os países em desenvolvimento, especialmente os mais pobres», possam enfrentar um problema que «em grande medida» tem sido causado pelos mais ricos.
Lula da Silva disse que defenderia «veementemente» que a Amazónia acolhesse a cimeira climática das Nações Unidas em 2025, embora o Brasil venha a acolher o G20 um ano antes. «Fique descansado que a agenda climática será uma prioridade. O meu regresso também compensará o que prometi em 2009», disse ele.
O Brasil já tinha proposto acolher a COP25 em 2019, mas a chegada de Bolsonaro ao poder significou a retirada do gigante sul-americano como anfitrião de um fórum que foi inicialmente transferido para o Chile e que, devido a protestos, acabou finalmente por ir parar a Espanha.
«Estou aqui para dizer que o Brasil está pronto a juntar-se aos esforços para reconstruir um planeta mais saudável, um mundo mais justo, capaz de acolher com dignidade todos os seus habitantes, não apenas uma minoria privilegiada», disse o novo presidente brasileiro.
Neste sentido, salientou que «a desigualdade entre ricos e pobres» também se reflecte nos esforços para reduzir a devastação das alterações climáticas, recordando que «o 1% mais rico da população do planeta excederá em 30 vezes o limite das emissões de dióxido de carbono».
«Não há segurança climática para o mundo sem uma Amazônia protegida (…) A luta contra as alterações climáticas terá a maior visibilidade na estrutura do meu governo», disse Lula, que prometeu dar prioridade à luta contra a desflorestação e deixar para trás «os crimes ambientais» do governo anterior.
«Castigaremos rigorosamente os responsáveis por qualquer actividade ilegal, seja prospecção, exploração mineira, exploração madeireira ou ocupação agrícola imprópria. Estes crimes afectam particularmente os povos indígenas», disse Lula, que também anunciou a criação de um Ministério dos Povos Indígenas.
O objectivo é colocar as comunidades indígenas no centro desta questão e torná-las os beneficiários de uma política de crescimento baseada na inclusão social «com a natureza como aliada estratégica, e já não como um inimigo a ser derrotado».
«Não podemos continuar a adiar este debate. Temos de enfrentar a realidade de países onde a integridade física dos seus territórios está ameaçada e as condições de sobrevivência dos seus habitantes estão seriamente comprometidas. É tempo de agir», Lula concluiu o seu discurso.






