
O juiz do Supremo Tribunal do Brasil, José Antonio Dias Toffoli, criticou a Argentina pelos seus julgamentos dos responsáveis pela ditadura militar e acusou a sociedade do país de estar «presa no passado».
«Não nos podemos deixar levar pelo que aconteceu na Argentina, uma sociedade que está presa no passado, em vingança, em ódio, olhando para trás, no espelho retrovisor, sem o conseguir ultrapassar», disse esta semana durante um evento com empresários brasileiros em Nova Iorque.
«O Brasil é muito maior do que isso, o Brasil é mais forte do que tudo isso e não vamos cair na mesma situação em que infelizmente os nossos vizinhos caíram», disse Dias Toffoli num evento em que participaram outros juízes do Supremo Tribunal, tais como Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski, e o ex-presidente brasileiro Michel Temer.
Até agora, o sistema judicial argentino condenou 1.088 perpetradores de crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura militar entre 1976 e 1983, incluindo o ditador Jorge Rafael Videla.
As declarações de Dias Toffoli assumem um tom ainda mais controverso se tivermos em conta que ele é o relator de uma acção legal que questiona a validade da Lei de Amnistia para aqueles que participaram nos crimes da ditadura militar brasileira.
Dias Toffoli foi um dos juízes do Supremo Tribunal nomeado pelo novo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante o seu anterior mandato, no entanto, a partir de 2018 iniciou a sua aproximação com Jair Bolsonaro no trilho da campanha.
Quando assumiu a presidência do Supremo Tribunal, foi ao quartel-general do exército para receber a bênção do General Eduardo Villas Boas e, de acordo com a revista ‘Piauí’, informou-os que manteria Lula na prisão até às eleições.
Durante esse tempo, o juiz surpreendeu alguns dos seus colegas ao nomear dois generais como conselheiros, um dos quais, Fernando de Azevedo e Silva, acabaria por ser o ministro da defesa de Bolsonaro, recorda o jornal ‘O Globo’.






