
A vice-presidente da Argentina, Cristina Fernández Kirchner, reiterou as suas críticas à juíza María Eugenia Capuchetti, responsável pela investigação da tentativa de assassinato do político no início de Setembro, e descreveu a continuidade do magistrado no caso como «insustentável».
«Neste vídeo de 4 minutos e 4 segundos, ficará a saber das novas e muito graves irregularidades na não-investigação do juiz Capuchetti», a vice-presidente escreveu numa mensagem no seu perfil no Twitter.
Este tweet acompanha um vídeo com detalhes do processo do caso, no qual Fernández Kirchner destacou o recurso que apresentou na segunda-feira contra o juiz, o qual foi rejeitado.
O vídeo, narrado pela jornalista Julia Mengolini, indicou que o recurso interposto na segunda-feira se baseia no facto de «a investigação ter começado muito mal».
«Algumas horas após o ataque e sob a custódia de Capuchetti, o conteúdo do telemóvel de (Fernando) Sabag Montiel, o assassino que disparou a arma 15 centímetros do rosto de Cristina, foi destruído e apagado», segundo o documento audiovisual.
Recorda também que, «durante dias, o juiz atrasou a detenção de dois dos seus cúmplices: Brenda Uliarte e Nicolás Carrizo». «A isto se acrescentou a paralisação do caso assim que surgiram provas que ligavam os líderes da oposição ao ataque», continua.
Além disso, Kirchner lamentou que Capuchetti não tivesse investigado o deputado Gerardo Milman por avisar sobre um «falso ataque» contra Cristina «para a vitimizar, para a tirar das cordas judiciais em que se encontra», e por «pedir relatórios sobre o funcionamento da custódia do vice-presidente e da sua família».
O vice-presidente recordou também que «durante o governo de Mauricio Macri e antes de ser nomeado para o cargo, Capuchetti era um visitante regular da Agência Federal de Inteligência (AFI)».
A isto junta-se a suspeita de que o magistrado tinha recebido indicações sobre como tratar o caso e as possíveis linhas de investigação, de acordo com o «número dois» do Governo da Argentina.
O juiz federal na segunda-feira rejeitou o recurso interposto pelo vice-presidente, que alegou «no mínimo, acções negligentes» desde «o primeiro dia da investigação», quando o telefone do agressor foi reiniciado.
A magistrada argumentou na sua decisão que a «alegada parcialidade» que tinha denunciado não podia ser «correlacionada com quaisquer dados objectivos», de modo que «a possível existência de um medo de parcialidade» não podia ser fundada, de acordo com o jornal argentino «La Voz».






