
O juiz do Supremo Tribunal brasileiro Alexandre de Moraes ordenou ao Banco Central o congelamento das contas de até 43 indivíduos e entidades jurídicas suspeitos de financiar comícios e bloqueios democráticos em todo o país para protestar contra a vitória eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva.
Entre estes protestos «ilícitos» está o acampamento no quartel-general do exército em Brasília, durante o qual foram ouvidos slogans de golpe de estado e slogans de intervenção militar contra as instituições. De Moraes também deu à Polícia Federal dez dias para recolher as declarações dos suspeitos.
De Moraes considera que existe um «abuso repetido do direito de reunião», utilizando-o de uma forma «ilegal» e «criminosa» para apelar ao não reconhecimento dos resultados eleitorais, tal como endossado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), relata O Globo».
Argumenta também que o movimento «coordenado» de camiões para Brasília para realizar uma «assembleia ilegal» nas proximidades das instalações do exército «com o objectivo de quebrar a ordem constitucional – incluindo os apelos a uma «intervenção federal» – através de uma interpretação absurda» da Constituição, pode constituir um crime.
Na sua decisão, De Moraes referiu-se a informações recolhidas pela Polícia Rodoviária Brasileira em que vários empresários «estão alegadamente a financiar os actos antidemocráticos que estão a ser analisados», quer através de serviços de alimentação e alojamento, quer através do fornecimento destes veículos.
Desde 30 de Outubro, milhares de apoiantes de Jair Bolsonaro têm vindo a bloquear as principais estradas e auto-estradas do país com orações e apelos à intervenção militar, nalgumas regiões utilizando mesmo menores como escudos humanos.
Bolsonaro teve de sair alguns dias mais tarde para os repudiar, enquanto Lula da Silva, o vencedor das eleições, censurou os manifestantes por não saberem sequer porque estavam a protestar e exigiu «desportivismo» a fim de aceitar os resultados.
Estes comícios deixaram imagens controversas, tais como dezenas de pessoas que juraram a bandeira sob a saudação nazi em Santa Catarina, o estado onde Bolsonaro ganhou 69 por cento dos votos nas eleições.






