
Os governos da Rússia e da Ucrânia chegaram a um acordo para prorrogar um acordo alcançado em Julho sobre a exportação de cereais dos portos ucranianos, as Nações Unidas confirmaram, pouco depois de Kiev ter confirmado que as partes tinham acordado em prorrogar a sua validade por um período de 120 dias.
«Saúdo o acordo entre todas as partes para manter a Iniciativa Grãos do Mar Negro para facilitar a navegação segura das exportações de cereais, alimentos e fertilizantes da Ucrânia», disse o Secretário-Geral da ONU António Guterres numa declaração no sítio web da ONU.
Salientou que «as Nações Unidas estão totalmente empenhadas em apoiar o Centro Conjunto de Coordenação para assegurar que esta linha de abastecimento vital funcione sem problemas», antes de acrescentar que a agência «está totalmente empenhada em remover os obstáculos pendentes à exportação de alimentos e fertilizantes da Rússia».
«Ambos os acordos assinados em Istambul há três meses são essenciais para baixar os preços dos alimentos e fertilizantes e evitar uma crise alimentar global», disse Guterres, que afirmou que «a iniciativa demonstra a importância de uma diplomacia silenciosa e de encontrar soluções multilaterais».
Minutos antes, o ministro das infra-estruturas da Ucrânia, Oleksander Kubrakov, tinha anunciado uma extensão do acordo por 120 dias. Disse que «a decisão acabou de ser tomada em Istambul» e acrescentou que «a ONU e a Turquia continuam a ser garantes da iniciativa». As negociações tinham-se intensificado recentemente, tendo em vista o termo do actual acordo no sábado.
Neste sentido, Kubrakov revelou que Kiev tinha defendido a prorrogação da iniciativa «durante pelo menos um ano» e a inclusão do porto de Mikolaiv, sublinhando que a Ucrânia «aguarda uma resposta», sem que o governo russo tivesse comentado os anúncios por enquanto.
Kubrakov defendeu o facto de que «as exportações agrícolas ucranianas continuam a ser um instrumento eficaz para lidar com a crise alimentar mundial» e salientou que desde a entrada em vigor do acordo, mais de onze milhões de toneladas de produtos foram exportadas para 38 países em todo o mundo.
«Isto é uma quantidade significativa, mas não é suficiente. O mercado global não pode substituir os produtos agrícolas ucranianos a curto prazo. Ao mesmo tempo, é impossível aumentar a nossa alimentação para o mundo», explicou o ministro ucraniano.
«É também importante assegurar o funcionamento eficaz do Centro Comum de Coordenação. Apresentámos propostas para resolver os problemas existentes. Devemos utilizar todo o potencial de exportação dos nossos portos para que o mundo possa receber rapidamente as quantidades de alimentos de que necessita», concluiu.
A Rússia e a Ucrânia assinaram um acordo a 22 de Julho, mediado pela Turquia e pelas Nações Unidas, para desbloquear a exportação de cereais e fertilizantes, que foi brevemente interrompido pelas acusações de Moscovo contra Kiev por alegadas ameaças à segurança do corredor. Eventualmente, Moscovo anunciou o seu regresso ao acordo após citar «garantias» ucranianas, embora Kiev tenha negado fazer concessões.






