
As relações diplomáticas entre a Grécia e a Líbia foram tensas na quinta-feira depois do Ministro dos Negócios Estrangeiros grego Nikos Dendias ter tido um desacordo com o seu homólogo líbio em Tripoli, Najla al Magush, recusando-se a deixar o avião depois de aterrar no Aeroporto Internacional de Mitiga, na capital.
Uma breve declaração do ministério grego disse que Dendias não queria encontrar-se com o seu homólogo de Tripoli, embora ela tenha vindo encontrar-se com ele no aeroporto, após o que o ministro grego dos Negócios Estrangeiros recusou deixar o avião e, em vez disso, viajou para Benghazi, onde se encontrou com o comandante líbio Khalifa Haftar.
«A Magush tentou enganar-me com a sua presença no aeroporto para se encontrar com ela. Como resultado, encurtei a visita em Trípoli e voámos para Benghazi, onde o horário foi cumprido», disse o lado grego mais tarde, numa declaração.
Dendias salientou que o Governo Transitório da Líbia tem apenas uma obrigação, que é a de «cooperar plenamente para levar o país às eleições o mais rapidamente possível». «O que é angustiante, porém, é que eu vejo que não o está a fazer», disse ele.
Dendias estava inicialmente agendado para se encontrar com o presidente do Conselho Presidencial da Líbia em Tripoli, Mohamed Menfi. No entanto, a reunião não teve lugar e o Dendias teve de partir para Benghazi.
Segundo fontes diplomáticas, como noticiado pelo diário «Kathimerini», o lado líbio recusou-se a aprovar os planos de voo do avião em que Dendias viajava, pelo que foi finalmente decidido descolar através do espaço aéreo maltês.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros líbio lamentou as acções do Ministro dos Negócios Estrangeiros grego, alegando que Trípoli tinha inicialmente concordado em encontrar-se com ele apesar das «políticas e posições cruas» que tinha adoptado nos últimos dias, de acordo com o Observador Líbio.
De acordo com a versão do governo líbio internacionalmente reconhecido, chefiado por Abdelhamid Dbeibé, al-Magush estava no aeroporto para receber Dendias, como exigido pelas regras diplomáticas.
«Contudo, numa situação surpreendente, que exige ressentimento, o ministro grego recusou-se a sair do seu avião e a regressar ao seu local de origem sem qualquer explicação», afirmou numa declaração, acrescentando que tomaria «medidas para preservar o prestígio e a soberania da Líbia».
Trípoli informou posteriormente que o embaixador líbio na Grécia foi convocado para consultas e o encarregado de negócios grego na Líbia foi também convocado para esclarecer os antecedentes do incidente, de acordo com a agência noticiosa Lana.
Dendias, após o desacordo com o seu homólogo líbio em Tripoli, reuniu-se com deputados e membros da Câmara dos Representantes, incluindo a Presidente da Câmara, Aguila Saleh Issa, em Benghazi. Ao fazê-lo, deixou claro que a Grécia procura contudo cooperar com a Líbia na realização de eleições.
O país está dividido em duas administrações após a Câmara dos Representantes ter terminado o mandato de Dbeibé devido ao adiamento das eleições presidenciais de Dezembro e nomeado Fazi Bashaga.






