
O Primeiro Ministro da República Democrática do Congo, Jean-Michel Sama Lukonde, recusou-se a comparecer com o Presidente ruandês Paul Kagame na Cimeira da Francofonia que começa este sábado na ilha tunisina de Djerba em protesto contra a «agressão ruandesa» no auge da tensão bilateral entre os dois países.
O governo congolês acusa o Ruanda de apoiar o grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23) durante os sangrentos confrontos que se desencadearam nas últimas semanas na província congolesa do Kivu do Norte, algo que Kigali negou veementemente.
Num comunicado posterior, o gabinete do primeiro-ministro congolês denunciou «a guerra injusta na região de Kivu» e assegurou que o seu país apenas aceitara participar nesta cimeira «para fazer ouvir a sua voz e denunciar mais uma agressão ruandesa sob a protecção de terroristas M23 que estão a causar sérios danos, particularmente a nível humanitário».
Ainda este sábado, o exército ruandês relatou a morte de um alegado soldado congolês que atravessou a fronteira entre os dois países e abriu fogo numa torre de vigia antes de ser morto a tiro pelas forças ruandesas.
Segundo o comunicado militar ruandês, o incidente teve lugar esta manhã à 01.00 hora local, quando um «soldado não identificado, que poderia ser membro das forças armadas congolesas», atravessou a fronteira na aldeia de Ruvabu e começou a disparar contra uma torre de vigia do exército ruandês.
«Uma patrulha militar matou-o a tiro antes de ele causar qualquer dano», acrescentou o exército.
O exército ruandês colocou a investigação nas mãos do Mecanismo Conjunto de Verificação (JVCM), composto por peritos militares dos Estados membros da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (ICGLR), e «assegura que a situação na fronteira se mantém calma».






