
A Guarda Nacional Mexicana foi objecto de um total de 1.254 queixas de violações dos direitos humanos desde que começou a funcionar em Julho de 2019, naquele que é um dos principais projectos do governo do Presidente Andrés Manuel López Obrador.
O organismo foi denunciado à Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) por detenções arbitrárias, incumprimento das formalidades nas buscas, uso arbitrário da força pública, tratamento cruel e desumano, tortura e privação de vida, de acordo com o jornal «El Universal».
Também menciona alegadas violações cometidas no desenvolvimento dos poderes que o organismo assumiu em matéria aduaneira, na estratégia de migração e na luta contra o roubo de hidrocarbonetos.
A Guarda Nacional é assim a agência de segurança com mais queixas, à frente do Ministério da Defesa Nacional (Sedena), que acumulou 1.605 queixas entre Janeiro de 2019 e 10 de Novembro de 2022. Muito atrás está o Ministério da Marinha (Semar), que recebeu 511, de acordo com os dados do CNDH.
«A Guarda Nacional não é um organismo estranho às violações dos direitos humanos, ao contrário do discurso oficial que diz que no México estas foram erradicadas», disse o director do Centro de Direitos Humanos Miguel Agustín Pro Juárez, Santiago Aguirre. A Guarda Nacional «está a replicar os padrões de uso da força e opacidade que conhecíamos do exército».
A Guarda Nacional tem estado no centro do debate político nos últimos meses porque embora tenha sido criada como um corpo policial civil, López Obrador impulsionou a sua transformação numa entidade militar, com as críticas resultantes de organizações sociais e de direitos humanos que sublinham a necessidade de as funções policiais serem estritamente civis e não militares, a fim de evitar abusos. A modificação está ainda pendente de recursos judiciais.






