
O Presidente turco Recep Tayyip Erdogan alertou para o possível lançamento de uma operação terrestre na Síria e no Iraque para combater a ameaça terrorista, após as forças turcas terem intensificado nos últimos dias os ataques aéreos contra grupos curdos do outro lado da fronteira.
Ancara anunciou no sábado o início da Operação «Garra de Espada» no norte do Iraque e na Síria contra os grupos curdos que culpa pelo bombardeamento de Istambul e outras ameaças: o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e as Unidades de Protecção do Povo Curdo-Sírio (YPG).
«Isto não se limita apenas a uma operação aérea», Erdogan avisou na segunda-feira, num discurso em que confirmou que já estão em curso consultas para o possível destacamento de tropas terrestres. Salientou que os grupos que representam uma «ameaça» para a Turquia «pagarão o preço» pelas suas acções.
No início da segunda-feira, pelo menos três pessoas foram mortas por foguetes disparados da Síria na cidade turca de Karkamis, localizada perto da fronteira comum, de acordo com as autoridades turcas, que apontaram o YPG como responsável.
Erdogan, que falou com jornalistas no seu voo de regresso do Qatar, explicou que 70 tripulações aéreas estavam a participar na operação – incluindo drones – e colocou o número de alvos terroristas atacados em 89, quase igualmente divididos entre o Iraque e a Síria, de acordo com a agência noticiosa Anatólia.
O líder turco deixou claro que ainda não discutiu a questão com os seus homólogos norte-americanos e russos, Joe Biden e Vladimir Putin, respectivamente, embora tenha sugerido que isso não poderia constituir uma surpresa para eles. «Eles já sabem que podemos fazer estas coisas na região em qualquer altura», disse ele.
Erdogan aproveitou, contudo, a oportunidade para censurar novamente os EUA por enviarem armas para áreas da Síria sob o controlo de alegados grupos terroristas, apesar de estes grupos poderem constituir uma ameaça para um país que é também membro da OTAN.






