
Os jogadores da selecção nacional de futebol do Irão não cantaram o hino antes do início da sua primeira partida no Campeonato do Mundo no Qatar, num gesto interpretado como um sinal de apoio aos protestos que abalaram a República Islâmica desde a morte do jovem Mahsa Amini.
A televisão iraniana interrompeu a emissão depois de notar o silêncio dos jogadores, segundo a agência noticiosa DPA, que também confirmou que alguns adeptos tinham vaiado o hino dentro do próprio estádio. Entre a multidão no Estádio Internacional de Jalifa estavam pessoas com o emblema «Mulheres, Vida e Liberdade» nas suas roupas.
Mais tarde, numa conferência de imprensa após o jogo, o capitão da equipa nacional iraniana, Ehsan Hajsafi, reconheceu que as condições no país «não são adequadas», e reconheceu que a equipa está a competir para representar a população o melhor que pode.
«Tudo o que temos é para eles, e temos de lutar. Devemos jogar o melhor que pudermos e marcar golos para representar o povo corajoso do Irão com bons resultados», disse Hajsafi, de acordo com as filmagens de vídeo levadas a cabo pela revista britânica Sky News.
Já no domingo, o capitão iraniano apelou a reformas no Irão e expressou as suas condolências às famílias dos mortos nos protestos – mais de 400, de acordo com organizações de direitos humanos. O treinador Carlos Queiroz disse que os jogadores estavam livres para falar sobre a situação no Irão como desejassem.
O líder supremo do Irão, Ayatollah Ali Khamenei, exortou os atletas a não «desrespeitar» o país quando jogam no estrangeiro, conscientes da importância das mensagens vindas de uma área que é particularmente seguida de perto dentro das fronteiras do Irão.
De facto, a equipa nacional tinha sido criticada após posar com o Presidente Ebrahim Raisi a 14 de Novembro, o que foi visto como alinhando com o governo numa altura em que milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra a morte de Amini, que foi preso por usar o véu incorrectamente, e para exigir progresso social.






