
O Parlamento Europeu prepara-se para declarar a Rússia patrocinadora estatal do terrorismo, de acordo com o deputado que redigiu a resolução a ser submetida a votação em plenário em Estrasburgo na quarta-feira.
A resolução «reconhece a Rússia como um Estado que promove o terrorismo e como um Estado que utiliza meios terroristas», de acordo com o deputado europeu por detrás da redacção do texto, o «popular» lituano Andrius Kubilius, como confirmado por fontes parlamentares à Europa Press.
Esta é a fórmula comum acordada entre os grupos que serão incluídos na proposta de resolução, que se concentra na denúncia dos mais de 40.000 crimes de guerra documentados cometidos pelo exército russo, em particular os massacres de civis ucranianos em locais como Irpin, Bucha e Izium.
Uma vez que o quadro legal da UE não prevê a designação de países como patrocinadores do terrorismo, um esquema que existe nos EUA e no Canadá, a resolução exorta a UE a tomar medidas por si própria para designar a Rússia e solicita à UE como um todo que desenvolva um mecanismo desse tipo para denunciar os países que utilizam meios terroristas, o que facilitaria «numerosas medidas restritivas significativas e teria profundas implicações nas relações da UE com esses países».
A proposta negociada não foi apoiada pelos Sociais-Democratas ou Verdes, pelo que resta saber qual o apoio que a resolução acabará por receber. Fontes parlamentares estão confiantes de que alguns deputados europeus destes grupos acabarão por apoiar a iniciativa na quarta-feira, apesar da relutância dos seus grupos.
Mais sanções contra a Rússia e apoio à Ucrânia A resolução salienta igualmente que a UE deve continuar a pressionar a Rússia com o nono pacote de sanções em retaliação à sua ofensiva militar na Ucrânia. Em particular, apelam a um «embargo total» às importações de petróleo e urânio russos e a um abandono total dos oleodutos Nord Stream 1 e 2.
Apela também a um endurecimento da repressão das importações e a uma maior focalização em sectores como os diamantes e sanções crescentes contra as moedas criptográficas, bem como a restrições contra os responsáveis por referendos nas regiões ucranianas ocupadas pela Rússia, e à designação da Rússia e da Bielorrússia na lista europeia contra o branqueamento de capitais.
A proposta apela a mudanças no mecanismo de sanções da UE em matéria de direitos humanos para incluir casos de corrupção, o que poderia traduzir-se em sanções rápidas contra indivíduos por detrás de esquemas de corrupção na Rússia e na Bielorrússia. Insta a UE a incluir o Grupo Wagner e outras milícias russas envolvidas no conflito na lista da UE de grupos terroristas.
Sobre as medidas de apoio à Ucrânia, a resolução apela aos Estados membros da UE a aumentar «o apoio político, financeiro e militar» a Kiev no meio da guerra de invasão da Rússia, bem como a trabalhar num mecanismo de compensação para resolver os danos causados pelo exército russo e facilitar a reconstrução do país.
Insta igualmente a UE e as instituições da UE a darem todo o apoio às investigações para documentar crimes de guerra na Ucrânia, a fim de assegurar a responsabilização e responsabilidade pela ofensiva militar lançada por Moscovo a 24 de Fevereiro, e a criar um tribunal especial para julgar crimes de guerra russos no país vizinho.






