
O governo colombiano e o grupo guerrilheiro ELN iniciaram oficialmente as negociações de paz na segunda-feira na capital venezuelana, Caracas, onde participaram delegados de Cuba e da Noruega, os países garantes.
O líder do ELN, Pablo Beltrán, disse que «esta mesa de negociações deve ser um instrumento de mudança». «Não esperamos falhar nesta expectativa de mudança», disse ele.
«Esperamos que esta mesa de negociações seja um instrumento de mudança, esperamos não falhar nesta expectativa de mudança (…) As mudanças não são automáticas, mas todos nós devemos ter um compromisso de mudança, neste sentido estamos presentes na Venezuela com um ideal: nós colombianos não nos podemos ver como inimigos», disse Beltrán, após a leitura de um comunicado conjunto com o Executivo.
«O trabalho que temos é de reconciliação, de reencontrar um terreno comum, de construir uma nação com igualdade e paz, é com isso que estamos empenhados. Foi para isso que viemos a esta mesa. Esperamos ter um interlocutor no mesmo sentido com a delegação governamental», acrescentou, conforme noticiado pelo jornal colombiano ‘Semana’.
O membro da guerrilha salientou que estas negociações não são «uma troca de favores», enquanto explicava que o «problema é a Colômbia», apontando para as elevadas taxas de pobreza.
Além disso, Beltrán disse que esperava que Washington respeitasse o desejo de paz do seu país. «Os Estados Unidos não estão aqui (na Venezuela), mas esperamos que dê seguimento a isto (a mesa do diálogo), esperamos que tenha uma atitude pró-activa», disse ele.
Entretanto, o Alto Comissário para a Paz no país, Danilo Rueda, indicou que existem sinais de «harmonia com a delegação de paz do ELN». «As nossas mudanças, as da delegação de paz do governo, são reais», disse ele.
«Não podemos ser menos responsáveis perante a responsabilidade que temos pelas gerações presentes e futuras, pela memória daqueles que vieram antes de nós», disse, sublinhando a natureza histórica do evento.
O chefe da Missão de Verificação das Nações Unidas na Colômbia, Carlos Ruiz Massieu, celebrou o reinício das negociações numa mensagem no seu perfil do Twitter.
«Reitero o apoio do Secretário-Geral António Guterres a este processo e apelo às partes e à sociedade colombiana para que aproveitem esta oportunidade histórica para aprofundar a paz», afirmou.
Por seu lado, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, considerou que o início do diálogo entre o governo e a guerrilha é «uma grande mensagem de esperança, fé e o sonho da nossa América Latina e das Caraíbas, de viver num mundo de paz e estabilidade»: «Chegou a hora da paz», afirmou.






