
O antigo presidente da Colômbia, Iván Duque, assegurou na terça-feira que não tem «absolutamente nenhum arrependimento» da atitude do seu governo em relação ao grupo armado Exército de Libertação Nacional (ELN).
Duque disse, por ocasião da apresentação de um livro sobre a sua administração no país latino-americano, que um dos momentos mais difíceis do seu mandato foi o ataque terrorista que o ELN levou a cabo em Janeiro de 2019 na Escola Geral de Polícia de Santander, no qual morreram 22 jovens.
Neste sentido, o ex-presidente indicou que não lamenta «de todo» a atitude que tiveram com este grupo, no âmbito da suspensão das negociações de paz iniciadas durante a administração de Juan Manuel Santos, uma vez que nessa altura a guerrilha não tinha a vontade de paz, insistiu ele.
Apesar destas declarações, Duque declarou que a sua «voz nunca será um obstáculo à construção da paz na Colômbia», apesar do facto de ter tomado uma posição contra «transformar a paz num processo eleitoral», como noticiado pela estação de rádio RCN.
«Os actos de terrorismo não podem ser tolerados enquanto se fala de paz, o Estado não pode aceitar cessar-fogos bilaterais, porque o Estado não se equipara ao terrorismo», criticou, referindo-se à mesa de diálogo criada na capital venezuelana entre o governo de Gustavo Petro e a guerrilha.
AS VÍTIMAS DEVEM SER PRESENTES Duque também fez uma declaração sobre a designação dos representantes da equipa de negociação do lado do Executivo. «Os presidentes são livres de escolher a sua equipa e espero que corra bem para o bem do país», acrescentou ele.
No entanto, criticou o facto de as vítimas do ELN não estarem à mesa das negociações. «Penso que é importante que a sociedade esteja presente à mesa de negociações», uma vez que «as vítimas do ELN devem estar presentes», observou.
Ele explicou que estas declarações são críticas construtivas. «Não sei fazer política que não seja construtiva, nunca num ataque pessoal, tentando sempre contribuir com opções», concluiu.






