
A ONG Human Right Watch (HRW) descreveu o alegado ataque com carro armadilhado a um complexo policial no sul da Tailândia como «desrespeito pela vida civil» e uma violação do direito humanitário internacional.
As autoridades tailandesas disseram na terça-feira que pelo menos uma pessoa foi morta e 31 outras ficaram feridas quando um homem com um uniforme semelhante ao da polícia conduziu um veículo para o complexo, que posteriormente explodiu. Das vítimas, treze são agentes da polícia e 18 civis, incluindo três menores.
«O bombardeamento ilegal de um edifício de apartamentos cheio de polícia e respectivas famílias parecia ter como objectivo causar a maior perda possível de vidas civis», disse a directora asiática da HRW, Elaine Pearson.
A ONG diz que como o carro-bomba foi alegadamente plantado por suspeitos insurrectos separatistas, os responsáveis pela organização e execução de tais ataques «devem ser levados à justiça».
A polícia provincial tailandesa no sul não está envolvida em operações de contrainsurreição e são civis, não combatentes, ao abrigo das leis da guerra, disse a Human Rights Watch.
Pearson instou a que os responsáveis pelo ataque fossem investigados «por aparentes crimes de guerra», porque os ataques deliberados a civis são proibidos pelas leis da guerra, por isso, se forem levados a cabo com intenção criminosa, devem ser investigados como tal.
HRW reiterou a sua condenação histórica das numerosas violações das leis da guerra por insurgentes separatistas nas províncias fronteiriças do sul da Tailândia, um conflito que tem vindo a grassar nos últimos 18 anos.
A organização também indicou que continua «profundamente preocupada» com as violações dos direitos humanos pelas forças de segurança e milícias do Executivo tailandês, culpados de assassinatos sumários ou desaparecimentos forçados, no contexto de alegadas insurreições por muçulmanos malaio.
«O governo tailandês deve reconhecer que enquanto as forças de segurança tailandesas puderem cometer impunemente abusos contra os muçulmanos de etnia malaia, os grupos separatistas armados explorarão isto para tentar justificar ataques ilegais», acrescentou Pearson, criticando a «cultura entrincheirada da impunidade».






