
Os aliados políticos de Jair Bolsonaro reconheceram nos bastidores que a auditoria apresentada pelo Partido Liberal (PL) contra os resultados eleitorais não tem qualquer hipótese de sucesso e que o seu objectivo é inflamar protestos que têm vindo a crescer nos últimos dias, com actos de sabotagem, agressão e raptos.
Na véspera da queixa da PL, o Supremo Tribunal brasileiro avisou o seu presidente, Valdemar Costa Neto, que não teria qualquer hipótese de sucesso, algo que ele sabia, mas justificou que iria em frente para evitar uma rebelião no seio do núcleo do partido mais simpático a Bolsonaro.
Nem mesmo os aliados mais convictos do ainda presidente do Brasil estão confiantes de que o Tribunal Superior Eleitoral irá alterar o resultado das eleições, mas pelo menos esperam que sirva para lançar dúvidas de que Bolsonaro foi vítima de fraude eleitoral, uma vez que ele alertou para a possibilidade durante a campanha eleitoral.
Assim, de acordo com uma conversa entre aqueles que assistem a reuniões com Bolsonaro no Palácio da Alvorada, a que o jornal ‘Folha de São Paulo’ teve acesso, as acções da PL serviriam, pelo menos, para inflamar o ambiente nas ruas.
Nos últimos dias, os bloqueios de estradas e os protestos intensificaram-se, especialmente em estados como Mato Grosso, Santa Catarina e Rondónia – onde Bolsonaro obteve melhores resultados eleitorais – e foram registados actos de sabotagem que poderiam ser enquadrados como possíveis crimes de terrorismo.
Desde a notícia da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, milhares de pessoas reuniram-se às portas do quartel do exército para pedir um golpe de Estado com orações e saudações nazis, ou para bloquear o tráfego queimando veículos, sabotando infra-estruturas e atacando a polícia e os motoristas.
Para a oposição, esta nova tentativa de contestar o resultado eleitoral não é mais do que um plano orquestrado nos últimos anos, intensificado quando Lula da Silva recuperou os seus direitos políticos. Desde então, têm vindo a atacar as urnas electrónicas, agora o alvo desta auditoria PL, a sigla sob a qual Bolsonaro se candidatou às eleições.
A imprensa brasileira recordou uma entrevista em Maio com um dos filhos de Bolsonaro, Flávio, na qual afirmou que a desconfiança de algumas das urnas electrónicas poderia gerar «uma revolta» e «perigo de instabilidade».






