
O grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23) rejeitou o «roteiro» estabelecido entre o Ruanda e a República Democrática do Congo, que causou agitação em Goma, a capital da província do Kivu Norte, para a cessação das hostilidades no leste do país.
O M23 declarou que não está vinculado por este acordo, uma vez que não estava presente na mesa de negociações, embora o porta-voz do grupo rebelde, Lawrence Kanyuka, tenha salientado na quarta-feira que, se não houver ataques às suas posições, respeitarão o pacto, de acordo com as notícias dos meios de comunicação locais na quinta-feira.
«Se o governo congolês quiser negociar, tem de o fazer directamente connosco», disse M23 em resposta a um acordo assinado pelo presidente congolês, Félix Tshisekedi, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Ruanda, Vincent Biruta, na sua qualidade de representante do presidente ruandês, Paul Kagame.
Numa reunião cimeira em Luanda, capital de Angola, para avançar com a normalização das relações diplomáticas entre os dois países, as partes concordaram em cessar as hostilidades a partir de sexta-feira e em retirar a M23 dois dias depois das áreas recém-conquistadas.
A decisão, que procura fazer avançar a normalização das relações diplomáticas entre os dois países, causou agitação entre a população do Kivu do Norte, onde se realizou uma manifestação na capital, segundo a Radio France Internationale.
As partes acordaram na quarta-feira que, caso o M23 se recuse a retirar-se dos territórios recentemente ocupados, «os líderes da EAC — Comunidade da África Oriental — instruirão as forças regionais a usar a força para as induzir à rendição».
O M23 é acusado desde Novembro de 2021 de realizar ataques às posições do exército da RDC no Kivu do Norte, sete anos após as partes terem chegado a uma trégua. Peritos da ONU acusaram o Uganda e o Ruanda de apoiarem os rebeldes, embora ambos os países o tenham negado.
O conflito conduziu também a uma crise diplomática entre a RDC e o Ruanda, que Kinshasa acusa de apoiar o M23, embora Kigali tenha rejeitado estas alegações e acusado o seu vizinho de alegadamente apoiar o movimento rebelde das Forças Democráticas para a Libertação do Ruanda (FDLR).






