
O governo iraquiano anunciou a sua decisão de redistribuir tropas para as fronteiras com o Irão e a Turquia, na sequência dos recentes bombardeamentos e ataques com drone de Teerão e Ancara contra posições do grupo curdo na região semi-autónoma do Curdistão iraquiano.
O Conselho de Segurança Nacional Iraquiano realizou uma reunião na quarta-feira presidida pelo primeiro-ministro Mohamed Shia al-Sudani para abordar «as violações e ataques turcos e iranianos às fronteiras do Iraque», confirmou o porta-voz do pessoal do exército Yahya Rasul.
Disse que as medidas acordadas incluem «desenvolver um plano de redistribuição das forças fronteiriças para manter a linha nas fronteiras com o Irão e a Turquia» e «garantir todo o apoio logístico às Forças Fronteiriças».
Rasul disse que haveria também «reforço» das «capacidades humanas e dos fundos necessários para a entrega de equipamento», bem como «reforço dos postos fronteiriços», conforme noticiado pela agência noticiosa iraquiana INA.
Finalmente, Bagdade concordou em «coordenar com o governo da região do Curdistão e o Ministério de Peshmerga – as forças de segurança semi-autónomas da região – para alcançar os dois primeiros pontos, a fim de unificar o esforço nacional de segurança das fronteiras do Iraque».
O governo iraquiano condenou na terça-feira «veementemente» os últimos bombardeamentos da Turquia e do Iraque como «uma violação da soberania iraquiana e um acto que viola as convenções e leis internacionais que regem as relações entre países».
O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraquiano afirmou numa declaração que «também violam o princípio da boa vizinhança, o que deveria ser uma razão para procurar uma segurança participativa ao serviço de todas as partes».
«O governo iraquiano sublinha que os territórios do Iraque não são nem uma base nem um corredor para causar danos a qualquer dos países vizinhos e rejeita o Iraque como motivo de conflito e acerto de contas entre as partes externas», afirmou.
O Irão tem bombardeado nas últimas semanas contra as posições dos grupos curdos que acusa de alimentar os recentes protestos no país pela morte de Mahsa Amini, uma mulher detida em Teerão por alegadamente usar o véu incorrectamente, o que resultou na morte de mais de 300 pessoas, de acordo com as ONG.
A Turquia lançou na segunda-feira uma ofensiva contra grupos curdos no norte do Iraque e na Síria – principalmente o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e as Unidades de Protecção Popular (YPG) – na sequência do ataque de 13 de Novembro em Istambul que matou seis pessoas e feriu mais de 80 outras.






