
A Câmara de Deputados da Argentina aprovou e enviou ao Senado um projecto de reforma da Lei de Trânsito com o objectivo de reduzir de 0,5 para 0 miligramas a quantidade de álcool por litro de sangue tolerável para a condução.
Com 195 votos a favor, 19 contra e quatro abstenções, a Argentina está a caminho de aprovar a «tolerância zero» para o álcool a nível nacional, que já está implementada em sete províncias e 12 localidades do país, onde foram obtidos melhores resultados em termos de acidentes de viação, relata a Télam.
A actual Lei de Trânsito estabelece uma tolerância de até 0,5 gramas de álcool por litro de sangue ou 0,25 mg/l em ar exalado para qualquer tipo de veículo. Para as motos, esta quantidade é reduzida para 0,2 gramas de álcool por litro de sangue, e para o transporte de passageiros de menores e carga, zero álcool.
«Esta lei, que tem a ver com a taxa de acidentes resultante do consumo, vem reparar, pelo menos um pouco, a grande perda sofrida por muitas famílias», disse Jimena López, vice-presidente da Comissão dos Transportes da Frente de Todos, durante o debate parlamentar.
«O regulamento limita a especulação de uma bebida ou duas. O consumo tem um impacto e afecta as faculdades», acrescentou, de acordo com a agência acima referida.
Para o presidente da Comissão dos Transportes, Jorge Rizzotti, da União Cívica Radical, a modificação da lei «é um grande passo num longo caminho», uma vez que tenta provocar uma mudança cultural.
«Visa combater a violência rodoviária e estabelecer uma prática de consciência e de responsabilidade cívica. Em termos andinos, ‘boa vida’: o trânsito da vida com respeito por si próprio, pelos outros e pela mãe terra», acrescentou Rizzotti.
«Famílias e organizações contaram as suas histórias trágicas de mortes evitáveis como resultado de condução sob o efeito do álcool. Há demasiadas famílias que perderam entes queridos para condutores bêbados», observou, como relatado pela Télam.
O projecto de lei, que não obteve o apoio dos deputados das províncias produtoras de vinho, deve agora ser submetido à apreciação do Senado, que apresentará emendas para aprovação final na Câmara Baixa argentina.






