
O Presidente do Azerbaijão Ilham Aliyev disse na sexta-feira que a reunião marcada para 7 de Dezembro em Bruxelas com o Primeiro-Ministro arménio Nikol Pashinian foi suspensa depois de o Presidente francês Emmanuel Macron se ter recusado a participar, tal como solicitado pela parte arménia.
«A reunião em Bruxelas deveria ter tido lugar a 7 de Dezembro. Mas ontem, (conselheiro presidencial estrangeiro) Hikmet Hajiyev informou-me que, do gabinete de Michel, disseram que o primeiro-ministro arménio Nikol Pashinian tinha concordado com a reunião apenas na condição de o presidente francês Macron participar», explicou o presidente do Azerbaijão em declarações relatadas pelo portal Azeri Haqqin.
O Azerbaijão acusa a França de tomar uma posição pró-Arménia no conflito do Nagorno-Karabakh. Em Outubro, a acusação do Presidente francês Macron ao Azerbaijão de «lançar uma guerra terrível e brutal» provocou uma forte reacção em Baku.
Aliyev criticou também que o presidente francês «tentou atacar» o Azerbaijão durante a Cimeira da Francofonia do fim-de-semana passado em Tunis com uma tentativa de resolução «repleta de insinuações e acusações».
«Tendo em conta tudo isto, é evidente que a França não pode participar nas conversações de paz», disse, acrescentando que Baku consideraria «outras alternativas». «Vamos ver quem assumirá o papel de mediador e em que plataforma será desempenhado», acrescentou ele durante um fórum na capital, relatado pela agência noticiosa oficial do Azerbaijão, Azertac.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros arménio rejeitou qualquer sugestão de que está a tentar fazer descarrilar as conversações e limitou-se a solicitar que a reunião de Bruxelas seguisse o formato da reunião quadripartida entre os líderes da Arménia, França, Azerbaijão e o Presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, em Praga, em Outubro deste ano.
Na sua resposta, o Ministério dos Negócios Estrangeiros arménio limitou-se a recordar que o formato das reuniões subsequentes foi acordado por todas as partes em Praga «e é lógico que o formato da reunião e a composição dos participantes seja a mesma», explicou o seu porta-voz, Vahan Hunanyan.
Nos últimos anos, os dois países têm estado à beira do controlo do Nagorno-Karabakh, um território com uma população maioritariamente arménia que tem sido o centro do conflito desde que decidiu separar-se da região do Azerbaijão, integrada na União Soviética, em 1988.
A Arménia e o Azerbaijão acordaram num cessar-fogo a 15 de Setembro e no início de Outubro concordaram em comprometer-se com a Carta das Nações Unidas e a Declaração de Alma Ata de 1991, através da qual ambos os países reconhecem a integridade territorial e a soberania um do outro. Na sequência disto, Pashinian salientou ao parlamento que espera que o tratado de paz com o Azerbaijão seja assinado antes do final do ano.
«Todas as declarações do lado azeri acusando o lado arménio de tentar descarrilar a reunião e o processo de paz não têm nada a ver com a realidade. A República da Arménia está pronta para a reunião de 7 de Dezembro, em conformidade com o acordo e formato alcançado em Praga», disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros arménio à agência noticiosa nacional Armenpress.






