
A ONG Save the Children advertiu quinta-feira que o medo e o stress causados pelos fortes bombardeamentos na Ucrânia estão a ter um efeito devastador na saúde das mães, bem como dos seus filhos, que correm o risco de nascer prematuramente.
«Em média cerca de 900 crianças por dia estão a nascer numa vida de incerteza. O caos da guerra representa uma séria ameaça para estas mães e os seus recém-nascidos», disse a directora da ONG na Ucrânia, Sonia Khush, acrescentando que o stress e o medo fizeram com que muitas mulheres dessem à luz prematuramente.
Ela explicou que embora a situação no início da guerra fosse pior, com muitas mulheres a darem à luz em caves ou bunkers, elas estão agora a dar à luz em «hospitais superlotados, longe das suas famílias, e em países que acolhem refugiados da Ucrânia».
Estes sintomas de stress podem afectar o desenvolvimento cerebral ou o sistema imunitário de um bebé, adverte a Save the Children, e podem levar ao aborto espontâneo ou ao nascimento prematuro. Esta última aconteceu a Antonina, uma mulher de 27 anos grávida de 30 semanas que fugiu das lutas em Donetsk e deu à luz uma menina prematura.
«A guerra acrescentou uma imensa quantidade de stress à minha gravidez. Não conseguia dormir com o som constante de lutas e o medo de que algo acontecesse à minha família. Estava tão stressada que acabei com a tensão arterial elevada», diz Antonina, acrescentando que se não fosse a guerra, ela não teria tido uma gravidez tão difícil.
A sua menina, Ganna, nasceu com um sistema imunitário enfraquecido, o que significa que terá de usar um inalador três vezes por dia e tomar medicação durante os próximos três anos. Além disso, o parceiro de Antonina não consegue encontrar trabalho, apesar de se ter mudado para uma casa partilhada em Dnipro, o que dificulta o pagamento de medicamentos.
Face a estes duros testemunhos, numa nota positiva, Khush indicou que neste momento «há menos mulheres a dar à luz em bunkers em comparação com este ano», embora a Save the Children advirta que o sistema de saúde ucraniano «está sob imensa pressão».
A ONG explicou que nestes nove meses de guerra houve mais de 700 ataques a infra-estruturas de saúde e mais de 1.100 crianças foram mortas ou feridas em resultado dos constantes ataques, de acordo com os números da ONU.






