
O líder do Comité Cívico de Santa Cruz, Rómulo Calvo, anunciou este sábado o levantamento da greve de 36 dias indefinidos que tinha paralisado a região após a aprovação, no início desta manhã, do projecto de lei do Censo na Câmara dos Deputados.
Calvo atribuiu a aprovação a «um triunfo do povo» e insistiu que se trabalhasse na «nova relação de Santa Cruz com o Estado» após mais de um mês de paragens e protestos violentos que resultaram em pelo menos quatro mortos e 178 feridos. Contudo, avisou que o comité «permanecerá em modo de emergência» face a novos acontecimentos, relata o portal digital Erbol.
Os protestos em Santa Cruz – um reduto tradicional da oposição aos governos do Movimento para o Socialismo (MAS) – foram chamados devido à decisão do Presidente Luis Arce de adiar o recenseamento da população, que se realizará finalmente a 23 de Março de 2024.
A Câmara de Deputados boliviana (câmara baixa) deu luz verde à lei do recenseamento no sábado após uma sessão de maratona que durou sete horas e terminou por volta das 2 horas da manhã (hora local).
Dos 119 deputados presentes no hemiciclo, 91 votaram a favor, 25 contra e três em branco. A proposta obteve assim o apoio de mais de dois terços da câmara e será agora enviada ao Senado.
A lei do censo tem sido acompanhada de controvérsia e confrontos em Santa Cruz, a principal região económica do país e onde a oposição se tem tornado forte nas últimas semanas com estes protestos.
O Presidente boliviano Luis Arce tinha fixado Março de 2024 como a data para o recenseamento da população, enquanto os opositores tomaram as ruas para exigir que o processo fosse levado a cabo um ano antes, em 2023, de acordo com o «El Deber».
A lei boliviana estipula que o recenseamento da população deve ser realizado de dez em dez anos, embora o último tenha tido lugar em 2022. A contagem da população poderia levar a um aumento dos recursos económicos, bem como a um reajustamento da representação no parlamento.
A oposição acusou Arce de tentar atrasar a atribuição da ajuda, enquanto o presidente tem feito sucessivos apelos à calma e apelado ao fim de uma greve em Santa Cruz que durou mais de um mês.
No entanto, o governador da cidade boliviana de Santa Cruz, Luis Fernando Camacho, explicou na quarta-feira que, como o Censo não pode ser organizado em 2023 por falta de tempo, a data de execução não é «decisiva», abandonando assim a sua posição inicial que instava o governo boliviano a realizar o inquérito nacional no próximo ano.
Camacho, que é o principal protagonista do conflito, considerou em várias ocasiões que a realização do Censo em 2023 era «inquebrável», mas a nova postura do governador muda a situação de conflito e anuncia um novo cenário.
A Missão Técnica na Bolívia do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACDH) condenou a violência dos protestos e apelou a uma investigação sobre qualquer violação dos direitos.






