
A Organização dos Estados Americanos (OEA) apelou ao diálogo entre os actores políticos no Peru após a renovação do poder executivo pelo Presidente Pedro Castillo, após o fracasso de uma questão de confiança no Parlamento Andino.
O grupo de alto nível da organização que visitou o Peru esta semana manifestou a sua vontade de ajudar as autoridades públicas e a sociedade civil a dialogar na procura de um acordo que lhes permita assegurar uma governação democrática, de acordo com um comunicado emitido pela OEA.
«O Grupo de Alto Nível para analisar a situação no Peru apela uma vez mais aos actores dos poderes do Estado, outras autoridades públicas, grupos e sociedade civil em geral, para que iniciem um processo de diálogo inclusivo a fim de preservar as instituições democráticas, a democracia representativa e a paz social, em benefício do povo peruano», afirma a carta.
A OEA assegurou que «respeita as decisões de todas as instituições do Estado» e encorajou as partes a demonstrar «a sua vontade de se reconciliarem, de se ouvirem mutuamente e de agirem com um sentido de Estado, em benefício do povo peruano».
As palavras da organização interamericana surgem um dia após a demissão do antigo primeiro-ministro do Peru, Aníbal Torres, e a subsequente remodelação completa do gabinete pelo chefe de Estado, Pedro Castillo.
A renovação do Conselho de Ministros segue-se à recusa do Congresso em apoiar a proposta de Torres de reformar a lei sobre as convocatórias para o referendo, com a qual o Executivo pretendia revogar a lei 31399, uma regra que desde o início de 2022 tem impedido a convocação de um voto popular.
Esta medida, promulgada pela oposição no Congresso, retirou o poder ao Júri Nacional de Eleições (JNE) para submeter questões de importância para os cidadãos do Peru a um referendo, forçando o órgão a ter a proposta de votação previamente avaliada e aprovada no Congresso.
O chefe do governo esperava regressar à JNE com a autoridade de convocar um referendo sem passar pela aprovação parlamentar, algo que a Mesa do Congresso rejeitou liminarmente na quinta-feira.
«A Mesa Presidencial concordou por maioria em rejeitar a questão de confiança levantada pelo presidente do Conselho de Ministros porque é proibido levantar uma questão de confiança, conforme estabelecido pelo Tribunal Constitucional», disse o presidente do Congresso, José Williams, em declarações relatadas pela RPP.
O chefe do Parlamento peruano justificou a decisão afirmando que o que foi proposto pelo primeiro-ministro do país, Aníbal Torres, excede o quadro constitucional e jurídico, porque ultrapassa o Congresso, o que representaria «uma alteração grave» do Estado e a separação de poderes.
Por esta mesma proposta governamental, a oposição apresentou uma queixa constitucional contra o Presidente Pedro Castillo, o primeiro-ministro e os ministros de todo o poder executivo, alegando que violaram vários artigos da Constituição.






