
As autoridades alemãs anunciaram na segunda-feira que não deportarão iranianos para o seu país face à crise política no Irão devido à repressão dos protestos desde Setembro, na sequência da morte sob custódia de uma mulher detida por alegadamente usar o véu de forma incorrecta.
«Concordamos que não haverá deportações até nova ordem», disse Joachim Herrmann, o presidente da Conferência dos Ministros do Interior dos Länder alemães, que é chefe do departamento na Baviera. Assim, o caso só será uma opção no caso de pessoas perigosas.
Herrmann apelou ao governo federal para fornecer aos estados federais uma avaliação da situação no Irão como base para a tomada de decisões, tal como relatado pela agência noticiosa alemã DPA.
O anúncio veio poucas horas após o governo iraniano ter convocado o embaixador alemão em Teerão, Hans-Udo Muzel, para protestar contra as «declarações intervencionistas e infundadas» de Berlim relativamente aos protestos que têm vindo a decorrer desde Setembro sobre a morte sob custódia de Mahsa Amini e o seu apoio à iniciativa no Conselho de Direitos Humanos da ONU, que na semana passada aprovou a criação de uma missão internacional independente para investigar «alegadas violações dos direitos humanos» no Irão.
No início do dia, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros Naser Kanani disse que Teerão «não cooperará» com uma investigação internacional sobre a repressão dos protestos e salientou que «tem provas» do papel dos países estrangeiros nas manifestações. A repressão dos protestos deixou mais de 480 pessoas mortas, de acordo com o último pedágio fornecido pela organização não governamental Iran Human Rights (IHR).






