
O Procurador-Geral de Angola, Helder Pitta Grós, prometeu na segunda-feira que o processo judicial contra Isabel dos Santos, filha do ex-presidente José Eduardo dos Santos, por corrupção, irá prosseguir apesar do facto de o acusado, cujo paradeiro é desconhecido das autoridades angolanas, não testemunhar.
«Sempre contámos com o facto de ela ter de responder às notificações, demos-lhe a oportunidade de responder, não quisemos apressar nada (…) mas após quase quatro anos com o processo parado, decidimos avançar», justificou o Procurador-Geral da República de Luanda.
Relativamente à possibilidade de Dos Santos testemunhar, Grós explicou que se ela estiver disponível, «pode dizer o lugar específico onde se encontra e assim enviar-lhe uma carta rogatória para que ela possa ser ouvida». «Já aconteceu na Holanda, ela não o aceitou, não sei onde estará disponível», disse à agência Lusa.
Por outro lado, Grós confirmou que no início do mês foi emitido um mandado de captura internacional para tentar encontrar Dos Santos, que na semana passada disse numa entrevista no canal alemão Deutsche Welle que este processo legal contra ela é uma «comissão» do Estado angolano contra ela.
«Se ela tem provas e quer defender-se, é no processo que ela o deve fazer, não o pode fazer nas redes sociais ou nos meios de comunicação», salientou Grós, insistindo que o novo Código de Processo Penal do país permite que o processo avance sem necessidade da sua declaração.
As reportagens conhecidas como «Fugas de Luanda» afirmam que Dos Santos, que se tornou na mulher mais rica de África segundo a revista «Forbes», como presidente da estatal Sonagol, obteve contratos lucrativos das indústrias petrolífera, diamantífera e de telecomunicações durante a presidência do seu pai.
Os procuradores acusam Dos Santos de ter causado perdas ao estado angolano de mais de 5 mil milhões de dólares durante os 38 anos de governo do seu pai. Como resultado destas investigações, os seus bens em Angola e Portugal foram congelados.






