
As autoridades da região de Oromia, na Etiópia, apelaram àqueles que aderiram ao Exército de Libertação do Oromo (OLA) para «regressarem à paz», excluindo ao mesmo tempo a possibilidade de abrir um diálogo de paz com o grupo rebelde.
Hailu Adgna, chefe do Departamento de Comunicação da Oromia, indicou que as autoridades tentaram que aqueles que se juntaram à «força terrorista Shene» entregassem as suas armas e se reintegrassem, antes de acrescentar que vários deles se tinham rendido.
Indicou que o OLA «não tem cadeia de comando e está dividido segundo linhas regionalistas», antes de sublinhar que as forças de segurança continuarão as suas operações contra os rebeldes, que descreveu como «bandidos», segundo o diário etíope «Addis Standard».
Hailu salientou que o governo regional está a trabalhar para conseguir que aqueles que «se juntaram erradamente» ao grupo rebelde se entreguem, num processo mediado por líderes locais e comunitários.
Em resposta, o porta-voz do OLA, Odaa Tarbi, disse à estação de televisão norte-americana Voice of America que o grupo tem uma estrutura organizada e acusou as autoridades de rejeitarem a possibilidade de conversações de paz.
Odaa recordou que o governo central chegou a um acordo de cessar-fogo com a Frente Popular de Libertação do Tigray (TPLF), no quadro de contactos para alcançar a paz após dois anos de guerra na região de Tigray (norte).
Neste sentido, salientou que as autoridades «criam novas razões para não se sentarem à mesa (de negociação) com o OLA» e advertiu que «a luta continuará até que as queixas do povo Oromo sejam respondidas».
A OLA, que se separou da Frente de Libertação Oromo (OLF) após o acordo de paz de 2018 e é aliada da TPLF na guerra do Tigray, reivindicou a responsabilidade por vários ataques – especialmente na Oromia – nos últimos meses. A OLF lutou durante décadas pela secessão da região de Oromia, mas em 2018 anunciou que estava a desistir da luta armada, aceitando a oferta de amnistia do primeiro-ministro.






