
O Conselho de Segurança Nacional da Ucrânia impôs sanções contra pelo menos dez membros da Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscovo, após a realização de uma reunião sobre as actividades das organizações religiosas, enquanto prosseguem as buscas nas dioceses de todo o país.
Entre os sancionados estão Pavlo Lebed, governador do Mosteiro das Grutas de Kiev, Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), bem como o antigo deputado ucraniano Vadim Novinski, informou a agência noticiosa UNIAN.
O Conselho de Segurança Nacional tinha exortado o governo a apresentar um projecto de lei para proibir as actividades das organizações religiosas com alegadas ligações russas. O Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky assinou um decreto que valida esta decisão.
O governo ucraniano tem agora dois meses para submeter a iniciativa ao Parlamento com «fundamentos jurídicos» suficientes ao abrigo do direito internacional, de acordo com a agência noticiosa Ukrinform.
Em paralelo, as buscas da Igreja Ortodoxa continuaram na sexta-feira nas regiões de Yitomir, Rivne e Transcarpathia. O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) disse que estas medidas foram levadas a cabo para «proteger a população de provocações e actos terroristas».
De acordo com a SBU no seu perfil Telegrama, entre os objectos encontrados estavam «textos de oração» do Patriarca Kirill, o chefe da Igreja Ortodoxa na Rússia, bem como dinheiro, símbolos nazis e panfletos de propaganda pedindo para se juntar ao exército russo.
Os serviços secretos ucranianos também relataram que o arcebispo metropolitano da diocese de Kirovohrad é suspeito de organizar «actividades subversivas contra a Ucrânia». «O bispo fazia parte do círculo interior de Kirill, com quem coordenava a propagação das visões pró-Kremlin na região», disse o bispo.
A 25 de Novembro, vários mosteiros em várias cidades, incluindo Kiev, foram também revistados. A SBU informou que, depois de inspeccionar os edifícios, encontrou manuais religiosos de Moscovo, documentos em russo e literatura «pró-Kremlin».
A Ucrânia, que tem vindo a realizar buscas de organizações religiosas há várias semanas, afirma que todas estas medidas estão a ser realizadas para garantir a segurança nacional e porque a Igreja Ortodoxa espalha propaganda russa e promove o recrutamento, entre outras acções «subversivas».






