
O Partido dos Trabalhadores (PT) no poder entregou ao presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, os ministérios que não está disposto a ceder, tais como Finanças, Saúde, Educação e Desenvolvimento Social – responsáveis pelos principais programas sociais – uma vez que o resto dos grupos aliados exigem a sua quota-parte no próximo governo.
O PT dividiu as pastas em três blocos: Estado – tais como Negócios Estrangeiros ou Defesa; quota pessoal de Lula – Articulação Política, Justiça, Finanças, ou Casa Civil; enquanto o resto poderia ser distribuído entre os aliados, de acordo com um líder partidário que disse ao jornal ‘O Globo’.
Na reunião de quinta-feira, o PT defendeu a importância de estar à frente do Ministério do Desenvolvimento Social devido ao grande número de programas sociais que administra, incluindo o Bolsa Família, uma carteira que o Movimento Democrático Brasileiro da Senadora Simone Tebet, a sua principal parceira na segunda volta das eleições de 30 de Outubro, também quer.
O PT argumenta que não importa que membro do partido esteja à frente deste ministério, desde que seja liderado pela sua sigla, pois seria insensato que uma pasta que oferece importantes dividendos políticos e eleitorais permanecesse nas mãos das forças aliadas.
O MDB está consciente da relutância do PT em abandonar este ministério e já está a trabalhar na possibilidade de Tebet assumir a pasta do ambiente, uma área que se tornou muito importante após as críticas que as políticas ambientais de Jair Bolsonaro receberam ao longo dos últimos quatro anos.
No total, o PT está confiante de liderar pelo menos quinze pastas e embora considerem improvável, em algumas, como a Saúde ou Educação, que foram administradas pelo partido nos governos anteriores de Lula da Silva e Dilma Rousseff, grupos aliados poderiam participar, em nome da governabilidade, enquanto o presidente eleito tenta acomodar todos os seus novos e antigos parceiros.
Espera-se também que a decisão de Lula se baseie no número de lugares que os seus aliados têm em ambas as casas do Congresso, pelo que se assume que os seus parceiros mais à esquerda, tais como o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), o Partido Socialista e da Liberdade (PSOL) e a Rede liderarão um ministério cada um.
Antes do final da semana, Lula deverá anunciar os chefes de pelo menos três carteiras, entre elas José Múcio Monteiro, antigo juiz do Tribunal de Contas, para a pasta da Defesa, que teria a aprovação da ala mais «bolsonarista» do exército devido à sua capacidade e perfil conciliatório. O outro nome que está a ser falado é o do ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação sob Lula e Rousseff, Fernando Haddad, para o Tesouro.






