
As milícias e as forças políticas que se opõem ao regime militar da Birmânia receiam que o acordo de cessar-fogo alcançado entre os militares e o Exército Arakan (AA) permita que o exército reoriente os seus esforços contra a insurreição.
O cessar-fogo entrou em vigor a 26 de Novembro, numa base temporária, com o objectivo declarado de ambas as partes de abordar as necessidades humanitárias urgentes no Estado de Rajine, no noroeste do país.
O pacto foi negociado através da mediação de Yohei Sasakawa, presidente da Fundação japonesa Nippon, que é considerada próxima do chefe da junta militar birmanesa, Min Aung Hlaing.
Sasakawa já era o mediador do anterior cessar-fogo acordado no período que antecedeu as eleições de Novembro de 2020. O acordo permaneceu em vigor mesmo depois do golpe de Fevereiro de 2021 que desencadeou a actual guerra civil, colocando os militares contra os grupos pró-democráticos, revolucionários e étnicos.
Contudo, em Maio, os combates recomeçaram em Rajine depois de o exército ter começado a prender civis e imposto um bloqueio comercial, o AA denunciou na altura. Sete meses mais tarde, as partes acordaram num cessar-fogo provisório por razões humanitárias.
Agora os outros grupos rebeldes temem que as 40.000 tropas enviadas para Rajine – de acordo com números de AA – possam ser enviadas para outras partes do país, particularmente para os estados vizinhos de Chin e para as regiões de Magwe e Sagaing.
«Esta é uma oportunidade para o exército reunir forças. Se o cessar-fogo se mantiver por algum tempo, poderá afectar as forças de resistência noutras áreas», disse um representante da Força de Defesa Popular Yesagyo em Magwe, Ko Wai Gyi, ao portal de notícias Irrawaddy.






