
A União Europeia saudou na segunda-feira a assinatura do acordo político no Sudão entre as autoridades militares sudanesas e a coligação civil Forças para a Liberdade e Mudança (FFC) para um «acordo-quadro» destinado a relançar o processo de transição, mas apelou à construção de um consenso em torno do pacto e à inclusão de mais actores políticos, a fim de ter um governo civil de transição.
Numa declaração, o Alto Representante da UE para a Política Externa Josep Borrell saudou o acordo assinado em Cartum, expressando o seu apoio à mediação da ONU, da União Africana e da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento, sublinhando que agora é o momento de aproveitar a dinâmica desta assinatura para estender o acordo a outros actores.
«Embora o acordo seja um documento vivo e permaneça aberto à assinatura de outros, não deve haver lugar no espectro político para os «spoilers». É agora fundamental manter a dinâmica deste processo e que todos os actores beneficiem do acordo e redobrem esforços para formar um governo de transição civil e inclusivo», disse o chefe da diplomacia, indicando que o horizonte deve ser eleições livres, justas e credíveis dentro do prazo acordado pela transição anterior.
Borrell salientou a necessidade de gerar consenso em torno do acordo e deu como exemplo a libertação de prisioneiros nos últimos dias. «Há outros detidos em circunstâncias semelhantes e mais gestos como este ajudariam a assegurar uma aceitação mais ampla deste acordo em todo o país», disse ele.
A UE insistiu no seu apoio ao roteiro democrático no país, que foi encurtado em 2021 pelo golpe militar liderado pelo chefe do exército e presidente do Conselho Transitório Soberano, Abdelfatá al Burhan, sublinhando que a agenda de cooperação com o Sudão pode agora começar a ser revitalizada.
«Com a assinatura de hoje, podem começar os trabalhos preparatórios sobre a forma de retomar as relações e a cooperação uma vez acordados um governo de transição e ajustamentos constitucionais para o período de transição», disse o comunicado da diplomacia da UE.






