
O Ministro do Interior da Colômbia, Alfonso Prada, explicou na segunda-feira que alguns dos detidos nos protestos de 2021 não serão perdoados, mas que com base na nova legislação e como trabalhadores de organizações sociais poderão ser designados como «gestores da paz».
«Temos alternativas na Lei 418 que acabámos de reformar para converter muitas das pessoas que trabalham em organizações sociais e humanitárias, que trabalham com as comunidades, para nos ajudar a construir a paz total», argumentou o chefe do Ministério do Interior.
Neste sentido, Prada disse que aqueles que o Presidente Gustavo Petro considera que podem «contribuir para alcançar a paz total e a coexistência cidadã, serão designados como porta-vozes ou gestores da paz».
Prada salientou que isto não é um perdão nem uma amnistia porque os procedimentos legais que abriram para participar nos protestos de 2021 contra as políticas do governo do ex-presidente Iván Duque não serão suspensos.
«Quero deixar bem claro que isto não é um processo de amnistia, nem um perdão, nem um perdão judicial. Todos os processos daqueles que foram processados no meio do protesto continuarão nas mãos dos juízes», mas trata-se antes de «utilizar uma figura transitória» que nos permite ter líderes jovens reconhecidos que podem «contribuir para a paz total», disse.
Prada esclareceu também que a Procuradoria-Geral da República e os juízes terão a última palavra sobre cada uma das propostas que o governo de Petro apresentará em relação a estas pessoas que poderão ser «gestores da paz».
Algumas destas pessoas que o governo procura que possam contribuir para a paz interna pertencem ao que é conhecido como a «Primeira Linha», um grupo de manifestantes que estiveram na linha da frente dos protestos, por vezes envolvidos em amargos confrontos com as forças de segurança, que foram questionados pelo uso excessivo da força que aplicaram para reprimir as manifestações.
Naturalmente, a oposição questionou a iniciativa do governo Petro, acusando-o de «fazer troça» dos colombianos, e apesar das explicações do governo a negarem, insistiu na teoria de que a estas pessoas será concedido um indulto.
Uma das mais ferozes críticas do novo governo na Casa Nariño, a senadora pró-Universitária María Fernanda Cabal, disse que esta medida não é mais do que uma «desculpa» para fazer passar «terroristas» financiados pela guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN) e das agora extintas FARC como gestores da paz.






