
Os líderes da UE enviaram na terça-feira uma mensagem de apoio aos países dos Balcãs no rescaldo da guerra na Ucrânia, com apoio em questões práticas como a segurança energética e as ameaças de cibersegurança, numa tentativa de revitalizar as relações com a região, apelando ao mesmo tempo aos Balcãs para se alinharem com a política externa do bloco, em particular sanções contra a Rússia pela sua invasão do país vizinho.
«Esta será uma reunião importante, uma reunião simbólica: a primeira vez que realizamos aqui uma cimeira UE-Balcãs num país da região. Estou absolutamente convencido de que o futuro dos nossos filhos será mais seguro e mais próspero com os Balcãs dentro da UE, e estamos a trabalhar arduamente para o conseguir», disse o Presidente do Conselho Europeu Charles Michel à sua chegada.
Por seu lado, o Primeiro-Ministro albanês, Edi Rama, salientou que a reunião em Tirana é um «sinal de consciência» de que a UE precisa dos Balcãs e os Balcãs precisam da UE, insistindo no caminho conjunto de ambas as regiões.
A cimeira na Albânia entre líderes europeus e balcânicos surge numa altura em que a adesão de países como a própria Albânia e o Norte da Macedónia, que iniciou as conversações de adesão em Julho após anos de bloqueio, está a avançar, e é a ocasião para dar um novo sinal de apoio à região face às consequências da guerra na Ucrânia, um conflito com ressonância nos Balcãs, com a intenção de poder acelerar a adesão da região ao bloco.
Falando antes da reunião, o Presidente francês Emmanuel Macron salientou a «solidariedade europeia concreta» com os Balcãs para lidar com a situação energética e insistiu que estes acordos contribuem para aumentar as relações com a região.
Segundo o Primeiro-Ministro belga, Alexander De Croo, não existem «atalhos» para o processo de adesão ao clube da UE, mas ele insistiu que os países dos Balcãs fizeram progressos significativos, pelo que é necessário não só falar de reformas pendentes, mas também dar um impulso para manter o «impulso político» da integração europeia. «É um processo administrativo, mas também um processo político», sublinhou ele.
Pela sua parte, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, salientou a responsabilidade da UE para com a região, «ainda mais depois da guerra da Rússia contra a Ucrânia», e salientou que é tempo de «reforçar» o processo de adesão destes países ao bloco. Eles podem contar com a Itália para trabalhar em aspectos como a economia ou a resposta aos ciberataques, disse Meloni.
«A cimeira é crucial, ainda estamos a sofrer com a invasão russa contra a Ucrânia e temos de nos manter unidos em questões como a segurança energética e garantir que todos aplicamos as sanções», disse o Primeiro-Ministro dos Países Baixos, Mark Rutte, em referência a Belgrado, o principal parceiro de Moscovo na região e o único país dos Balcãs que não aderiu às medidas adoptadas pela UE.
O Presidente lituano Gitanas Nauseda insistiu que o apoio às sanções contra a Rússia e a adesão à política externa do bloco é uma «condição prévia» para que os vizinhos dos Balcãs adiram à UE, enquanto a primeira-ministra estónia Kaja Kallas se concentrou em trabalhar pela paz na Europa com os parceiros dos Balcãs.
Para o primeiro-ministro finlandês Sanna Marin, é importante ter uma «mesa comum» para discutir com os Balcãs questões como a guerra na Ucrânia e as suas consequências para a segurança energética.
TENSÃO ENTRE A SÉRVIA E O KOSOVO À sua chegada à cimeira, o Presidente kosovar Vjosa Osmani insistiu que o território tem um firme compromisso com a UE e os seus valores, tornando claro o seu total alinhamento com a política externa do bloco, num ataque velado contra a Sérvia. «Tem países que se alinham com a UE e outros que se alinham com (o Presidente russo) Vladimir Putin. Deve importar se se alinha com a Ucrânia ou com a Rússia, se aplica sanções. Estar do lado certo da história deve ser o mínimo que se espera de nós», salientou, reafirmando que o Kosovo se candidatará à adesão à UE antes do final de 2022.
Sobre a isenção de visto para cidadãos kosovares, acordada pela UE-27 a nível de embaixadores, Osmani disse esperar que a UE passasse das palavras aos actos e concordasse com esta medida na cimeira dos líderes da UE a 15 de Dezembro.
Por seu lado, o presidente sérvio, Aleksandar Vucic, declarou que está consciente das obrigações com a UE de se alinhar com medidas de política externa, tais como sanções, mas insistiu que a Sérvia é um país independente que tem as suas diferenças devido à «violação da integridade territorial violada em 2008», em referência à independência do Kosovo.
Neste sentido, respondeu ao presidente kosovar dizendo que as críticas à sua proximidade com Moscovo são argumentos que ela usa porque «não tem mais nada a dizer» e que os ataques contra Belgrado foram refutados pelas acções das autoridades sérvias, em oposição às acusações de que «a Sérvia atacaria outros países dos Balcãs».
O encontro entre líderes europeus e balcânicos tem sido marcado por tensões entre Belgrado e a sua antiga província sobre a controversa lei kosovar para impor documentos e chapas de matrícula às comunidades sérvias kosovares, e a nomeação de um ministro da minoria sérvia kosovar. Em resposta a isto, o Alto Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, pediu às partes que se empenhassem no diálogo.
«Têm agora de se comprometer com a oferta que eu fiz a Belgrado e a Pristina e envolver-se em discussões sérias. Esta é uma grande oportunidade», instou o chefe da diplomacia europeia, que evitou estabelecer um prazo para a conclusão das conversações sobre a normalização das relações, após uma década de negociações em Bruxelas. «Não devemos estabelecer um prazo artificial, mas sim começar a trabalhar», disse ele.






