
O grupo rebelde Mouvement 23 Marches (M23) alegou que o Governo da República Democrática do Congo (RDC) se recusa a dialogar, apesar de ter reiterado a sua vontade de se sentar e negociar a sua retirada dos combates no leste do país.
«Estamos prontos para partir (…) Quando duas pessoas lutam, é preciso ter os dois lados da história. Enviamos esta mensagem a Uhuru Kenyatta (ex-presidente queniano) e ao presidente angolano, (João Lourenço). Eles deveriam ouvir-nos, mesmo que não estivéssemos em Nairobi», explicou um dos seus porta-vozes, Willy Ngoma.
Ele especificou que o M23 quer «paz» e que «eles estão prontos». «Mas o governo não quer falar connosco. Se sairmos daqui, falaremos com qualquer pessoa», disse ele, de acordo com o portal de notícias Actualité.
O grupo rebelde anunciou na terça-feira as suas intenções de se retirar dos territórios ocupados e manter o cessar-fogo numa declaração pouco depois de o governo ruandês ter criticado a posição «errada e mal orientada» da comunidade internacional sobre o conflito, de acordo com a DPA.
As relações entre a RDC e o Ruanda têm sido tensas desde o afluxo maciço de hutus ruandeses ao leste da RDC acusados de massacrar tutsis durante o genocídio ruandês de 1994.
As tensões aumentaram novamente em Maio, quando o governo congolês convocou o embaixador ruandês para denunciar o alegado apoio do país à M23, algo rejeitado por Kigali, que por sua vez afirma que Kinshasa apoia a FLDR para levar a cabo ataques no Ruanda.
O M23 é acusado desde Novembro de 2021 de realizar ataques contra posições do exército no Kivu do Norte, apesar de as autoridades congolesas e o M23 terem assinado um acordo de paz em Dezembro de 2013 na sequência de combates desde 2012 com o exército, que foi apoiado pelas tropas da ONU. Peritos da ONU acusaram o Uganda e o Ruanda de apoiarem os rebeldes, embora ambos os países o tenham negado.






