
A União Europeia fez uma despesa militar recorde em 2021 com um investimento total de 214 mil milhões de euros, mais 6% do que no ano anterior, continuando a tendência ascendente dos últimos sete anos, de acordo com o relatório anual da Agência Europeia de Defesa (EDA).
O estudo da EDA observa que os Estados-membros aumentaram a despesa em 6% ao longo de 2020, para o maior crescimento anual desde que a UE inverteu a sua tendência de investimento militar e começou a gastar a partir de 2015, quando a crise financeira terminou. Enquanto em termos de Produto Interno Bruto (PIB), os países da UE gastaram 1,5% em despesas militares, a mesma percentagem que em 2020.
Desde 2014, ano em que os Estados-membros registaram o menor investimento na defesa, o aumento ascende a 52 mil milhões e mais 32%, e esta tendência irá continuar nos próximos anos com os compromissos assumidos pela UE após a invasão russa da Ucrânia.
Por país, 18 estados-membros aumentaram as despesas em 2021, liderados pela Finlândia com um aumento de 42%, seguidos pela Grécia e Eslovénia, com 33% e 27%, respectivamente. Em termos absolutos, o orçamento militar da Itália aumentou em 4 mil milhões de euros. Em contrapartida, oito outros estados membros reduziram as despesas com a defesa.
A EDA avalia a evolução das despesas militares como «positiva» e assinala que pode ajudar a compensar a subutilização da UE em matéria de defesa entre 2009 e 2018. Contudo, salienta a necessidade de aumentar também as despesas de forma coordenada, pois apesar do aumento dos projectos militares conjuntos, o bloco ainda está longe do seu objectivo de 35 por cento do investimento total.
O relatório assinala, no entanto, que os países da UE estão a gastar cada vez mais em colaboração, com um «aumento apreciável» de 7,9 mil milhões de euros em compras conjuntas, quase o dobro dos valores do ano anterior, quando os estados membros investiram em colaboração 4,1 mil milhões de euros.
Para o Alto Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, apesar do «longo caminho» percorrido na cooperação militar na Europa, «muito pouco» é gasto de uma forma coordenada. Por conseguinte, apelou a que o aumento das despesas com a defesa fosse acompanhado de investimentos conjuntos, que «devem tornar-se a norma».
«Não basta gastar, temos de fazer melhor, e isso significa fazê-lo em conjunto. Esta é a única forma de equipar eficazmente as Forças Armadas Europeias para futuros desafios», sublinhou o ex-ministro espanhol.






