
As autoridades italianas autorizaram o navio da ONG alemã «Louise Michel» a desembarcar 33 migrantes resgatados no Mediterrâneo central num porto de Lampedusa, embora mais de 500 pessoas estejam ainda à espera de autorização semelhante em dois outros navios.
A «Louise Michel» atracou em Lampedusa na quinta-feira à noite, na sequência de uma licença de «última hora», que veio perante o agravamento das condições meteorológicas na zona. «Esperamos (os migrantes) obter um melhor acolhimento da sociedade civil do que do violento regime fronteiriço da Europa», disse a organização nos meios de comunicação social.
A ONG também ajudou em vários salvamentos com a «Humanidade 1», onde outros 261 aguardam agora autorização para chegar a um porto seguro. A eles juntam-se outros 248 migrantes no ‘Geo Barents’, o navio dirigido pela ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF).
Um rapaz de 14 anos foi evacuado esta sexta-feira do ‘Geo Barents’ devido a dores abdominais que necessitavam de tratamento urgente, acrescentando a outras evacuações, incluindo a de uma mulher que deu à luz a bordo e pôde deixar o navio com o seu recém-nascido e três outros filhos – todos com menos de onze anos de idade.
MSF denunciou que a primeira resposta de Malta foi a de autorizar apenas a entrada da mãe e do bebé, sem dar às outras três crianças uma escolha, o que para a ONG constitui uma violação dos direitos fundamentais. No final, todos os membros da família conseguiram chegar a Lampedusa e depois à Sicília.
O coordenador das operações de busca e salvamento dos MSF, Juan Matías Gil, lamentou que «a mesma situação se repita vezes sem conta», uma vez que a ausência de um mecanismo de desembarque provoca atrasos na transferência de migrantes para terra, no melhor dos casos.
«Não estamos a mendigar, estamos simplesmente a pedir a Malta e à Itália que cumpram as suas obrigações legais. Não é aceitável esperar dias, uma semana ou mais. Vamos parar de brincar com vidas humanas», disse Gil. O ‘Geo Barents’ já está perto de Itália, à espera de autorização.
O novo governo italiano, liderado pela extrema-direita Giorgia Meloni, prometeu ser mais rigoroso com estas autorizações, o que já resultou na recente travessia de outro navio, o Ocean Viking, até França. Pelo menos 1.362 pessoas morreram este ano só no Mediterrâneo central, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM).






