
O antigo primeiro-ministro do Peru, Guido Bellido, disse sexta-feira que o ex-presidente Pedro Castillo «não se lembra» de ter feito o discurso em que dissolveu o Parlamento e decretou um governo de emergência, o que levou à sua detenção na quarta-feira.
O antigo chefe do primeiro governo de Castillo deu origem a uma espécie de teoria da conspiração, pois acredita que as câmaras de segurança do Palácio do Governo devem ser estudadas para ver o que aconteceu ao presidente nas suas últimas horas de mandato.
«O presidente não se lembra. Ele disse-me nas suas próprias palavras. O presidente diz: ‘Não me lembro de ter lido (a mensagem à nação em que ordenou o encerramento do Congresso)’,» disse Bellido aos media, de acordo com a estação de rádio RPP RPP.
Para o antigo primeiro-ministro, a moção de censura que Castillo iria enfrentar não iria obter o apoio necessário. Contudo, Castillo «acabou por dar os argumentos» ao dissolver o Parlamento no que descreveu como «uma reviravolta inesperada dos acontecimentos». «É estranho», disse ele.
Bellido, portanto, salientou que a leitura deste decreto por Castillo era justificada pelo facto de o presidente «não estar bem», semeando assim implicitamente a dúvida sobre um possível boicote ao antigo presidente.
«Precisamos da liberdade do Professor Pedro Castillo. Vamos exigir que o presidente, em liberdade, diga a verdade ao país», disse o ex-primeiro-ministro Bellido.
Na quarta-feira, o ex-presidente Castillo anunciou a dissolução do parlamento e a constituição de um governo de excepção. Contudo, esta decisão não foi apoiada e o presidente acabou por ser demitido pelo Congresso da República e detido pelo Ministério Público.






